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Preços de imóveis na Itália: ISTAT Q4 2025, alta de 4,1%

Os dados provisórios do ISTAT sobre o índice de preços das habitações (IPAB)quarto trimestre de 2025 revelam um mercado imobiliário italiano em plena transformação. Os preços das habitações subiram 4,1% em termos tendenciais, impulsionados por uma forte valorização das habitações existentes (+5,2%), enquanto os preços das habitações novas registaram, pela primeira vez em oito anos, uma variação negativa (-1,2%).
Para brasileiros que consideram investir em imóveis na Itália — seja através da cidadania italiana, de um visto de residência ou como investimento puro — estes números contam uma história clara: o mercado está a premiar quem compra imóveis existentes para renovar e a penalizar os preços excessivos da construção nova. Este guia analisa os dados oficiais e traduz o que significam para compradores estrangeiros em 2026.
1. O Panorama Geral — Q4 2025 em Números
O relatório "Prezzi delle Abitazioni" publicado pelo ISTAT em 19 de março de 2026 apresenta os seguintes indicadores-chave para o quarto trimestre de 2025:
| Indicador | Valor | Trimestre Anterior |
|---|---|---|
| Variação trimestral (total) | +0,9% | +0,5% |
| Variação tendencial (total) | +4,1% | +3,7% |
| Habitações existentes (tendencial) | +5,2% | +4,2% |
| Habitações novas (tendencial) | -1,2% | +1,3% |
| Volume de compravendas | +0,4% | +8,5% |
A divergência entre habitações novas e existentes é o dado mais significativo deste relatório. Pela primeira vez desde 2017, os preços das habitações novas registam uma variação tendencial negativa, enquanto as existentes aceleram para +5,2% — o valor mais elevado dos últimos trimestres.
Média anual de 2025
Em média, durante todo o ano de 2025, os preços das habitações em Itália aumentaram 4,0%:
| Tipologia | Índice (base 2015=100) | Variação Média 2025 | Efeito Arrasto 2026 |
|---|---|---|---|
| Habitações novas | 136,2 | +0,6% | +3,3% |
| Habitações existentes | 114,3 | +4,7% | +1,3% |
| Total | 118,1 | +4,0% | +1,6% |
O efeito de arrasto para 2026+1,6% significa que, mesmo que os preços se mantivessem estáveis ao longo de todo 2026, a média anual ainda seria 1,6% superior à de 2025 — um indicador importante para quem planeia comprar nos próximos meses.
2. Por Que as Habitações Novas Estão a Desvalorizar
A queda de -1,2% nos preços das habitações novas — após anos de crescimento que chegou a atingir +9,2% no Q4 2024 — explica-se por uma combinação de fatores:
Fim do ciclo do Superbonus
O Superbonus 110% inflacionou artificialmente os preços da construção nova durante o período 2021-2024, ao subsidiar até 110% dos custos de renovação e construção energeticamente eficiente. Com a redução progressiva do incentivo (para 65% em 2025 e 36% em 2026), os preços estão a reajustar-se à realidade do mercado.
Custos de construção elevados
Os custos de materiais e mão de obra mantêm-se elevados, comprimindo as margens dos promotores. Muitos projetos iniciados com orçamentos de 2023 estão a ser concluídos com custos reais superiores, forçando ajustes nos preços de venda.
Desaceleração das compravendas
O volume de compravendas cresceu apenas 0,4% no Q4 2025, uma desaceleração acentuada face ao +8,5% do trimestre anterior. Esta travagem reflete a prudência dos compradores face a taxas de juro que, embora em descida, ainda não atingiram os níveis pré-2022.
3. Análise por Região — Onde os Preços Mais Sobem
O ISTAT apresenta dados detalhados por grande região geográfica, revelando dinâmicas muito distintas:
| Região | Var. Tendencial Total | Habitações Novas | Habitações Existentes |
|---|---|---|---|
| Nordeste | +4,7% | -1,3% | +6,2% |
| Noroeste | +4,4% | +4,2% | +4,4% |
| Centro | +3,7% | -5,8% | +5,5% |
| Sul e Ilhas | +3,0% | -5,5% | +5,0% |
Nordeste — O líder do crescimento
O nordeste (Veneto, Friuli-Venezia Giulia, Trentino-Alto Adige, Emilia-Romagna) lidera o crescimento com +4,7%. As habitações existentes valorizam 6,2%, enquanto as novas recuam -1,3%. Cidades como Bolonha, Verona e Pádua beneficiam de forte demanda universitária e profissional.
Noroeste — A única região equilibrada
O noroeste (Lombardia, Piemonte, Ligúria, Vale de Aosta) é a única grande região onde tanto as habitações novas quanto as existentes sobem (+4,2% e +4,4%, respetivamente). Milão continua a ser o principal motor deste crescimento.
Centro — Divergência extrema
centro (Lácio, Toscana, Úmbria, Marcas), a divergência entre novas e existentes é a mais pronunciada: as novas caem -5,8%, enquanto as existentes sobem +5,5%. Roma lidera esta dinâmica com uma forte demanda por apartamentos em bairros históricos.
Sul e Ilhas — Crescimento mais moderado
O Mezzogiorno regista o crescimento mais contido (+3,0%), com uma queda acentuada nas habitações novas (-5,5%) compensada pela valorização das existentes (+5,0%). Esta região continua a oferecer os preços de entrada mais acessíveistoda a Itália.
4. As Grandes Cidades — Milão, Roma e Turim
O ISTAT publica estimativas específicas para os principais centros urbanos, revelando dinâmicas distintas:
| Cidade | Var. Tendencial Q4 2025 | Var. Q3 2025 | Tendência |
|---|---|---|---|
| Milão | +6,3% | +5,8% | Aceleração |
| Roma | +5,0% | +4,5% | Aceleração |
| Turim | +3,6% | +2,1% | Forte aceleração |
Milão — O mercado mais caro e dinâmico
Com +6,3%, Milão lidera os aumentos entre as grandes cidades. A capital económica de Itália continua a atrair investimento nacional e internacional, com preços médios que ultrapassam os €4.500/m² no centro e €2.500-3.500/m² nas áreas semicentrales. Para investidores brasileiros, Milão oferece:
- Rentabilidade bruta: 4%–6% em arrendamento de longa duração
- Valorização: +35% acumulados desde 2020
- Demanda: forte e constante (centro financeiro, moda, design, universidades)
- Risco: preços elevados de entrada
Roma — Recuperação consistente
Roma regista +5,0%, com aceleração face ao trimestre anterior. A capital italiana beneficia do turismo internacional, do setor público e de uma crescente comunidade de nómadas digitais. Os preços variam enormemente:
- Centro storico: €4.000–8.000/m²
- Zonas semicentrales: €2.500–4.000/m²
- Periferia: €1.500–2.500/m²
Turim — A oportunidade emergente
Turim é a grande surpresa do trimestre, com uma aceleração de +2,1% para +3,6%. Historicamente subvalorizada face a Milão, Turim oferece:
- Preços médios: €1.500–2.500/m² (centro), €1.000–1.800/m² (semicentral)
- Potencial de valorização: significativo, com investimentos em infraestrutura e inovação
- Rentabilidade: 5%–7% bruto em arrendamento
- Perfil: cidade universitária, polo tecnológico, sede da FIAT/Stellantis
5. Evolução Histórica — De 2010 a 2025
Para compreender o momento atual, é essencial olhar para a trajetória dos preços na última década e meia:
| Ano | Var. Anual Total | Novas | Existentes | Contexto |
|---|---|---|---|---|
| 2018 | -0,6% | +1,1% | -1,0% | Estagnação pós-crise |
| 2019 | -0,1% | +1,2% | -0,4% | Estabilização |
| 2020 | +1,9% | +2,1% | +1,9% | Pandemia + estímulos |
| 2021 | +2,5% | +3,8% | +2,2% | Superbonus + recuperação |
| 2022 | +3,8% | +6,1% | +3,4% | Pico do Superbonus |
| 2023 | +1,3% | +5,6% | +0,4% | Subida taxas BCE |
| 2024 | +3,2% | +7,9% | +2,2% | Recuperação seletiva |
| 2025 | +4,0% | +0,6% | +4,7% | Inversão: existentes lideram |
A inversão de 2025 é histórica: após anos em que as habitações novas lideravam os aumentos (graças ao Superbonus), as existentes passaram a valorizar quase 8 vezes mais do que as novas (+4,7% vs. +0,6%). Esta mudança estrutural tem implicações profundas para a estratégia de investimento.
6. O Que Isto Significa para Compradores Brasileiros
Os dados do ISTAT apontam para estratégias claras para quem planeia comprar imóvel em Itália:
Estratégia 1 — Comprar existente e renovar
A forte valorização das habitações existentes (+5,2% no Q4) e os incentivos fiscais de renovação ainda disponíveis (50% Bonus Ristrutturazione, 50-65% Ecobonus) tornam esta a estratégia mais atrativa em 2026:
| Cenário | Região | Compra | Renovação | Valor Pós-Obra | Ganho Potencial |
|---|---|---|---|---|---|
| Apartamento urbano | Turim | €80.000 | €40.000 | €160.000–180.000 | 33%–50% |
| Casa rural | Puglia | €50.000 | €60.000 | €150.000–200.000 | 36%–82% |
| Apartamento centro | Roma (semicentro) | €200.000 | €50.000 | €300.000–350.000 | 20%–40% |
Estratégia 2 — Investimento para arrendamento
Com os preços a subir e a demanda de arrendamento forte (especialmente em cidades universitárias e turísticas), o investimento buy-to-let mantém-se atrativo:
| Cidade | Preço Médio T2 | Arrendamento Mensal | Rentabilidade Bruta |
|---|---|---|---|
| Milão | €250.000–350.000 | €1.200–1.800 | 4,1%–6,2% |
| Bolonha | €180.000–250.000 | €900–1.300 | 5,0%–6,2% |
| Roma | €200.000–300.000 | €1.000–1.500 | 4,8%–6,0% |
| Turim | €120.000–180.000 | €700–1.000 | 5,3%–6,7% |
| Nápoles | €100.000–180.000 | €600–900 | 5,0%–7,2% |
| Lecce/Puglia | €80.000–150.000 | €500–800 | 5,3%–7,5% |
Estratégia 3 — Esperar pela correção das novas
Com os preços das habitações novas em queda (-1,2%) e um efeito de arrasto positivo de +3,3% para 2026, pode haver uma janela de oportunidade para negociar em projetos novos que estão a ter dificuldade em vender ao preço pedido.
7. Comparação Europeia — Itália vs. Portugal, Espanha e França
| Indicador (2025) | Itália | Portugal | Espanha | França |
|---|---|---|---|---|
| Variação anual preços | +4,0% | +6,5% | +4,8% | -1,5% |
| Preço médio/m² (capital) | €3.500–4.500 | €4.000–5.500 | €3.800–5.000 | €9.000–12.000 |
| Preço médio/m² (cidade média) | €1.500–2.500 | €1.800–3.000 | €1.500–2.500 | €2.500–4.000 |
| Rentabilidade arrendamento | 5%–7% | 4%–6% | 4%–6% | 3%–5% |
| Facilidade de compra (estrangeiros) | Alta | Alta | Alta | Moderada |
A Itália destaca-se por oferecer preços de entrada mais acessíveis em cidades médias e no sul, com rentabilidades de arrendamento superiores à média europeia. Enquanto Portugal e Espanha registam valorizações mais elevadas (tornando a compra mais cara), e a França está em correção, o mercado italiano oferece um equilíbrio interessante entre preço, potencial de valorização e rentabilidade.
8. O Processo de Compra para Brasileiros
Comprar imóvel em Itália como brasileiro é perfeitamente legal — não é necessário ter cidadania italiana para adquirir propriedade. Contudo, ter a cidadania italiana simplifica significativamente o processo:
| Aspeto | Com Cidadania Italiana | Sem Cidadania (Estrangeiro) |
|---|---|---|
| Compra de imóvel | Sem restrições | Sem restrições |
| Crédito hipotecário | Acesso pleno (taxas preferenciais) | Possível mas mais restritivo |
| Impostos de compra | 2% (primeira habitação) | 9% (ou 2% com residência) |
| Residência fiscal | Automática | Requer visto ou permesso |
| Incentivos fiscais | Acesso a todos | Acesso parcial |
| Arrendamento | Sem restrições | Sem restrições |
A diferença no imposto de registo é particularmente relevante: 2% sobre o valor cadastral para cidadãos que estabelecem residência (primeira habitação) vs. 9% para não residentes. Num imóvel de €200.000, isto pode representar uma diferença de €14.000 em impostos.
9. Perspetivas para 2026 — O Que Esperar
O efeito de arrasto calculado pelo ISTAT (+1,6% para o total) oferece uma base para projetar o comportamento do mercado:
Cenários para 2026
| Cenário | Probabilidade | Var. Total 2026 | Novas | Existentes |
|---|---|---|---|---|
| Otimista (descida taxas BCE) | 35% | +3,5%–4,5% | +1%–2% | +4%–5% |
| Base (estabilização) | 45% | +2,0%–3,0% | -1% a +1% | +3%–4% |
| Pessimista (choque externo) | 20% | +0,5%–1,5% | -3% a -1% | +1%–2% |
Os fatores a monitorizar incluem:
- Política monetária do BCE: novas descidas nas taxas facilitarão o crédito hipotecário
- PNRR: a execução dos projetos de infraestrutura sustentará a demanda em determinadas regiões
- Demografia: o envelhecimento da população e a imigração crescente reconfiguram a demanda por tipologia e localização
- Diretiva Case Green: a obrigação de renovação energética criará pressão adicional sobre imóveis de classe energética baixa
10. Considerações Finais — O Momento Certo para Comprar?
Os dados do ISTAT para o Q4 2025 sugerem que o mercado imobiliário italiano está numa fase de transição inteligente: os preços continuam a subir de forma sustentada (+4,0% em 2025), mas a composição dessa subida mudou fundamentalmente. As habitações existentes — mais acessíveis e com potencial de renovação — são agora o segmento mais dinâmico do mercado.
Para brasileiros, as conclusões práticas são:
- Comprar existente e renovar é a estratégia com melhor relação risco-retorno em 2026
- Turim, Bolonha e o sul de Itália oferecem os melhores preços de entrada com potencial de valorização
- A cidadania italiana reduz significativamente os custos de aquisição (imposto de 2% vs. 9%) e abre acesso ao crédito em condições preferenciais
- O efeito de arrasto de +1,6% indica que os preços continuarão a subir em 2026, mesmo num cenário de estabilização — quem espera, paga mais
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Fontes e referências:
- ISTAT — Prezzi delle Abitazioni, IV Trimestre 2025 (dados provisórios, publicados em 19/03/2026)
- Agenzia delle Entrate — Osservatorio del Mercato Immobiliare, Q4 2025
- BCE — Decisões de política monetária 2025-2026
- Eurostat — House Price Index, comparação europeia
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Consulta Gratuita por WhatsAppSobre a autora

Dra. Débora Friedrich Izquierdo
Advogada, Sócia-fundadora do Studio Cidadania
Inscrita na Ordem dos Advogados de Portugal e na OAB. Mais de 10 anos dedicados a processos de cidadania portuguesa, italiana e espanhola, com atuação direta em Lisboa e mais de 500 famílias representadas.
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