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    Vendas em Portugal: Crescimento em janeiro de 2026

    Em Portugal, EconomiaPor Studio Cidadania9 min de leitura
    Vendas em Portugal: Crescimento em janeiro de 2026 - Guia completo sobre Portugal,Economia | Studio Cidadania

    Vendas no Comércio em Portugal: O Que Revelam os Dados de Janeiro de 2026

    passado dia 2 de março de 2026, o INE trouxe boas notícias para a economia: os dados do comércio em janeiro confirmam que o setor continua a ganhar fôlego em Portugal. O índice total registou um aumento homólogo de 2,1% — um salto interessante de 0,5 pontos percentuais face ao que vimos em dezembro de 2025.

    Este crescimento ocorre num contexto económico favorável para Portugal, com o Banco de Portugal a projetar um crescimento do PIB de 2,3% para 2026, impulsionado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e por um mercado de trabalho historicamente robusto, com o desemprego em mínimos de 25 anos (5,6%).

    você está a planear investir, abrir um negócio ou até mudar-se de vez para cá — seja com um visto de residência ou através da cidadania portuguesa — ficar de olho nestes números é o primeiro passo para não dar um tiro no escuro.

    Panorama Geral: Volume de Negócios no Comércio

    O Índice de Volume de Negócios no Comércio, ajustado de efeitos de calendário e de sazonalidade e deflacionado, apresentou em janeiro de 2026 um crescimento homólogo de 2,1%. Este resultado representa uma aceleração face ao crescimento de 1,6% registado em dezembro de 2025.

    Onde o comércio mais cresceu? (Análise por setores)

    A análise por divisões revela dinâmicas distintas dentro do setor:

    DivisãoJaneiro 2026Dezembro 2025Variação
    Total do Comércio+2,1%+1,6%+0,5 p.p.
    Veículos Automóveis e Motociclos (G45)+3,7%-6,0%+9,7 p.p.
    Comércio por Grosso (G46)-0,2%+2,9%-3,1 p.p.
    Comércio a Retalho (G47)+4,6%+2,8%+1,8 p.p.

    Recuperação Expressiva no Setor Automóvel

    O comércio, manutenção e reparação de veículos automóveis e motociclos (divisão 45) registou a recuperação mais expressiva, passando de uma contração de 6,0% em dezembro para um crescimento de 3,7% em janeiro. Esta inversão de quase 10 pontos percentuais sugere fatores sazonais e uma normalização após um dezembro atipicamente fraco.

    Esta recuperação é particularmente relevante para empreendedores e investidores no setor automóvel em Portugal, um mercado que tem demonstrado resiliência apesar das transformações impostas pela transição para a mobilidade elétrica.

    Comércio por Grosso em Ligeira Contração

    O comércio por grosso (divisão 46) foi o único segmento a apresentar desempenho negativo, com uma variação de -0,2%, contrastando com o crescimento de 2,9% observado em dezembro. Esta desaceleração poderá estar associada a ajustamentos de inventários após o período festivo e a dinâmicas de preços nas cadeias de abastecimento.

    Retalho em Forte Aceleração

    O destaque do mês vai para o comércio a retalho (divisão 47), que acelerou 1,8 pontos percentuais para um crescimento robusto de 4,6%. Dentro do retalho, ambos os segmentos principais registaram acelerações significativas:

    • Produtos Alimentares:+0,7% em dezembro para +4,2% em janeiro (+3,5 p.p.)
    • Produtos Não Alimentares:+4,3% para +4,9% (+0,6 p.p.)

    A aceleração nos produtos alimentares é particularmente notável, podendo refletir uma recuperação do poder de compra dos consumidores portugueses, num contexto de desaceleração da inflação e de crescimento real dos salários.

    Contributos para o Crescimento do Comércio

    A análise dos contributos permite compreender o peso de cada divisão na formação da taxa de variação do índice total:

    DivisãoContributo (p.p.) - Jan/26Contributo (p.p.) - Dez/25
    Veículos (G45)+0,5-0,9
    Grosso (G46)-0,1+1,4
    Retalho (G47)+1,7+1,0
    Total+2,1+1,6

    O comércio a retalho foi o principal motor do crescimento em janeiro, contribuindo com 1,7 pontos percentuais dos 2,1% do índice total. A recuperação do setor automóvel também teve um papel relevante, contribuindo com 0,5 p.p., revertendo o contributo negativo de dezembro.

    Dados Nominais: Crescimento de 3,7%

    Em termos nominais (sem ajuste pela inflação), o índice total do comércio apresentou um crescimento homólogo de 3,7% em janeiro, acelerando face ao crescimento de 2,5% de dezembro. Os destaques incluem:

    • Veículos automóveis e motociclos: +4,6% (após -5,1% em dezembro)
    • Comércio por grosso: +2,7% (desaceleração de 2,1 p.p.)
    • Comércio a retalho: +4,7% (aceleração de 2,3 p.p.)

    A diferença entre os dados reais (deflacionados) e nominais indica que os preços no comércio continuam a exercer um efeito positivo moderado sobre as receitas das empresas, embora o crescimento real seja o indicador mais relevante para avaliar a saúde do setor.

    Variação Mensal: Ajustamento Sazonal em Janeiro

    Em termos mensais (janeiro face a dezembro), o índice total apresentou uma redução de 1,4%, após o crescimento de 1,8% no mês anterior. Esta variação mensal negativa é expectável e reflete o ajustamento sazonal habitual após o período de festas:

    • Veículos: -0,8% (-2,2% no mês anterior)
    • Grosso: -4,1% (após +7,2% em dezembro)
    • Retalho: +2,0% (após -3,1% em dezembro)

    É importante notar que o comércio a retalho foi o único segmento a registar crescimento mensal positivo em janeiro, reforçando a narrativa de solidez do consumo privado.

    Emprego e Remunerações no Comércio

    Os indicadores de mercado de trabalho no setor comercial mantêm uma trajetória positiva:

    Emprego Estável

    O índice de emprego no comércio registou uma variação homóloga de 0,4% em janeiro, mantendo-se estável face ao mês anterior. Em termos mensais, verificou-se uma redução sazonal de 1,6%, idêntica à observada em janeiro de 2025, confirmando o padrão sazonal habitual.

    Remunerações em Crescimento Robusto

    As remunerações no setor comercial cresceram 5,2% em termos homólogos, desacelerando ligeiramente face aos 5,8% de dezembro. Este crescimento das remunerações acima da inflação indica ganhos reais de poder de compra para os trabalhadores do comércio.

    IndicadorJaneiro 2026Dezembro 2025Novembro 2025
    Emprego (var. homóloga)+0,4%+0,4%+0,5%
    Remunerações (var. homóloga)+5,2%+5,8%+7,3%
    Emprego (var. mensal)-1,6%-0,6%+1,0%
    Remunerações (var. mensal)-16,1%-15,3%+44,3%

    A variação mensal negativa de 16,1% nas remunerações é um fenómeno estritamente sazonal, relacionado com os subsídios de Natal pagos em novembro e dezembro, e não representa uma redução estrutural dos salários no setor.

    Contexto Macroeconómico: Portugal em 2026

    Os dados do comércio de janeiro inserem-se num quadro macroeconómico globalmente positivo para a economia portuguesa:

    Crescimento Económico Sólido

    O Banco de Portugal projeta um crescimento do PIB de 2,3% em 2026, sustentado pelo consumo privado, pelo investimento público (PRR) e pela resiliência do mercado de trabalho. A Oxford Economics corrobora esta projeção, destacando o emprego recorde e o desemprego em mínimos históricos de 25 anos (5,6%) como pilares do crescimento.

    Consumo Privado como Motor

    O crescimento robusto do comércio a retalho (+4,6%) é consistente com a dinâmica do consumo privado, que beneficia de:

    • Crescimento real dos salários (remunerações +5,2% vs. inflação abaixo de 3%)
    • Emprego em máximos históricos
    • Condições de crédito em gradual melhoria
    • Confiança dos consumidores em níveis moderadamente positivos

    Comparação com a Zona Euro

    Segundo o Eurostat, as vendas no comércio retalhista na zona euro cresceram 2,3% em 2025. Os dados de janeiro de 2026 para Portugal (+4,6% no retalho) posicionam o país significativamente acima da média europeia, refletindo a maior dinamicidade da economia portuguesa face aos seus parceiros comunitários.

    O Que Significam Estes Dados para Quem Planeia Viver em Portugal

    Para brasileiros e outros cidadãos que consideram estabelecer-se em Portugal, os dados do comércio oferecem sinais relevantes:

    Para Empreendedores e Investidores

    O crescimento sustentado do comércio, particularmente no retalho (+4,6%), sinaliza oportunidades para quem pretende abrir um negócio em Portugal. Os setores de produtos alimentares (+4,2%) e não alimentares (+4,9%) apresentam dinâmicas favoráveis. Os titulares de vistos D2 (empreendedor) encontram um mercado em expansão.

    Para Profissionais e Trabalhadores

    O crescimento das remunerações de 5,2%, combinado com a estabilidade do emprego, indica condições favoráveis no mercado de trabalho do comércio. Para quem procura emprego através de um visto D1 ou planeia uma mudança de carreira, o setor comercial mantém-se como um dos principais empregadores da economia portuguesa.

    Para Reformados e Residentes Não Habituais

    A dinâmica positiva do consumo reflete uma economia saudável, o que se traduz em melhor qualidade de vida e acesso a bens e serviços diversificados. Os titulares de vistos D7 beneficiam de um ecossistema comercial vibrante e em crescimento.

    Nota Metodológica: Como Interpretar os Dados do INE

    Para uma interpretação correta dos dados divulgados pelo INE, é importante compreender os seguintes conceitos:

    • Variação homóloga: comparação com o mesmo período do ano anterior, eliminando efeitos sazonais
    • Dados deflacionados: ajustados pelo efeito dos preços, refletindo variações reais de volume
    • Ajustamento sazonal: correção de padrões recorrentes (feriados, estações) para facilitar comparações entre meses consecutivos
    • Contributos: representam o efeito individual de cada agrupamento na formação da taxa de variação do índice total

    Os dados apresentados neste artigo baseiam-se no Índice de Volume de Negócios Total deflacionado e ajustado de efeitos de calendário e de sazonalidade (base 2021=100). A taxa de resposta ao inquérito do INE foi de 89,5% em janeiro de 2026.

    Perspetivas para os Próximos Meses

    Com base nas tendências observadas e no contexto macroeconómico, as perspetivas para o comércio em Portugal nos próximos meses de 2026 são moderadamente otimistas:

    • O consumo privado deverá manter-se como motor do crescimento, beneficiando dos ganhos reais de salários
    • O investimento público associado ao PRR continuará a gerar efeitos multiplicadores na economia
    • O setor do retalho deverá sustentar taxas de crescimento acima da média europeia
    • A recuperação do setor automóvel poderá consolidar-se com a normalização das cadeias de abastecimento

    A próxima divulgação dos índices do comércio pelo INE, referente a fevereiro de 2026, está prevista para 27 de março de 2026.

    Fontes e Referências

    • INE – Instituto Nacional de Estatística. Índices de Volume de Negócios, Emprego, Remunerações e Horas Trabalhadas no Comércio – Janeiro 2026. Publicado em 2 de março de 2026.
    • Banco de Portugal. Boletim Económico – Dezembro 2025. Projeções macroeconómicas para 2026.
    • Eurostat. Volume of retail trade – Euro indicators. Dados do comércio retalhista na zona euro.
    • Oxford Economics. Portugal Economic Outlook 2026.

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    Sobre a autora

    Dra. Débora Friedrich Izquierdo

    Dra. Débora Friedrich Izquierdo

    Advogada, Sócia-fundadora do Studio Cidadania

    Inscrita na Ordem dos Advogados de Portugal e na OAB. Mais de 10 anos dedicados a processos de cidadania portuguesa, italiana e espanhola, com atuação direta em Lisboa e mais de 500 famílias representadas.

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