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    Turismo em Portugal 2026: Dados INE de Janeiro

    Em Portugal, EconomiaPor Studio Cidadania10 min de leitura
    Turismo em Portugal 2026: Dados INE de Janeiro - Guia completo sobre Portugal,Economia | Studio Cidadania

    Turismo em Portugal Inicia 2026 em Crescimento: Os Números de Janeiro

    Portugal começou 2026 com o pé direito no turismo. Segundo os dados mais recentes do INE, divulgados agora em fevereiro, o setor continua a crescer a olhos vistos: recebemos 1,7 milhões de hóspedes em janeiro — um aumento de 3,8% — o que resultou em 3,7 milhões de dormidas e uma receita generosa de 276,8 milhões de euros.

    O que mais impressiona nestes números é que eles surgem mesmo depois de um janeiro e fevereiro marcados por mau tempo severo em todo o país. Isso mostra que o turismo português já não depende apenas do sol; o setor tornou-se a base sólida da nossa economia, que, aliás, deve crescer 2,3% este ano, de acordo com o Banco de Portugal.

    Para quem considera mudar-se para Portugal — seja como investidor, empreendedor ou profissional do setor — compreender estas dinâmicas é fundamental para identificar oportunidades e planear estrategicamente.

    Síntese dos Principais Indicadores – Janeiro 2026

    IndicadorValorVariação Homóloga
    Hóspedes1,7 milhões+3,8%
    Dormidas3,7 milhões+2,0%
    Proveitos Totais276,8 M€+5,6%
    Proveitos de Aposento199,5 M€+5,6%
    Taxa Ocupação-cama28,6%-0,4 p.p.
    Taxa Ocupação-quarto36,6%-0,8 p.p.
    RevPAR33,8 €+1,3%
    ADR92,1 €+3,4%
    Estada Média2,25 noites-1,7%

    O crescimento dos proveitos (+5,6%) supera significativamente o aumento das dormidas (+2,0%), indicando que o setor está a gerar mais receita por dormida — um sinal positivo de valorização do destino Portugal e de estratégias eficazes de gestão de receitas (revenue management).

    Dormidas: Crescimento em Ambos os Mercados

    O aumento de 2,0% nas dormidas totais resultou de contributos positivos tanto do mercado interno como do externo, embora com dinâmicas distintas:

    • Residentes: 1,3 milhões de dormidas, crescimento de +4,7% (desaceleração face aos +6,0% de dezembro)
    • Não residentes: 2,4 milhões de dormidas, crescimento de +0,7% (abaixo dos +1,2% de dezembro)

    O mercado interno continua a ser o motor mais dinâmico, crescendo a um ritmo quase sete vezes superior ao dos não residentes. Esta tendência reflete o aumento do poder de compra dos portugueses e uma crescente cultura de turismo doméstico.

    Mercados Emissores: Canadá e Brasil Lideram o Crescimento

    Os dez principais mercados emissores representaram 70,6% do total de dormidas de não residentes em janeiro. A análise por mercado revela dinâmicas contrastantes:

    MercadoQuotaVariaçãoTendência
    Reino Unido14,0%-3,6%📉 Decréscimo prolongado
    Alemanha11,2%+1,3%📈 Crescimento mantido
    Espanha8,5%+3,3%📈 Recuperação
    Brasil—+8,2%📈 Forte crescimento
    França—-8,3%📉 Maior decréscimo
    Países Baixos———
    Estados Unidos———
    Itália———
    Polónia———
    Canadá—+12,5%📈 Maior crescimento

    O Destaque do Mercado Brasileiro

    Vale a pena destacar o salto de 8,2% do mercado brasileiro. Não é só passeio; a ligação entre Brasil e Portugal está mais forte do que nunca. Entre os laços culturais e a enorme comunidade que já vive aqui, muitos brasileiros aproveitam a viagem para pesquisar o custo de vida ou avançar com processos de cidadania portuguesa. Para muitos, esse primeiro post-it como turista é o ensaio para uma mudança definitiva.

    A Questão do Mercado Britânico

    A continuação da trajetória descendente do mercado britânico (-3,6%) merece atenção. Apesar de manter a liderança com 14,0% de quota, o prolongamento dos decréscimos pode estar relacionado com o efeito cumulativo do Brexit sobre os fluxos turísticos, a desvalorização da libra e a concorrência de outros destinos mediterrânicos.

    Análise Regional: Norte e Lisboa Lideram o Crescimento

    A análise por regiões NUTS II revela uma distribuição heterogénea do crescimento turístico:

    RegiãoDormidas (milhares)Var. TotalVar. ResidentesVar. Não Residentes
    Norte728,4+8,2%+5,2%+10,8%
    Centro294,9+5,6%+7,8%-1,9%
    Oeste e Vale do Tejo138,3+2,7%+6,8%-3,6%
    Grande Lisboa1.130,0+5,0%+9,8%+3,6%
    Península de Setúbal74,0-2,7%+2,1%-9,4%
    Alentejo129,2+0,3%+0,5%0,0%
    Algarve543,8-4,7%+0,6%-6,3%
    RA Açores93,9-5,8%-2,5%-10,3%
    RA Madeira612,2-3,0%-4,2%-2,8%

    Norte: A Região Mais Dinâmica

    O Norte de Portugal registou o maior crescimento de dormidas (+8,2%), com destaque para o impressionante aumento de 10,8% nas dormidas de não residentes. Este desempenho reflete a crescente atratividade do Porto e do Douro como destinos turísticos de referência internacional.

    A cidade do Porto, especificamente, registou 351,2 mil dormidas, com um crescimento de 11,1%, sustentado tanto por residentes (+12,0%) como por não residentes (+10,9%). Vila Nova de Gaia também se destacou com um crescimento de 9,2% nas dormidas de não residentes.

    Grande Lisboa: Capital Concentra 30,2% das Dormidas

    A região da Grande Lisboa manteve a sua posição dominante, concentrando 30,2% do total de dormidas e registando um crescimento de 5,0%. O município de Lisboa, em particular, atingiu 943,5 mil dormidas (+5,2%), representando 25,2% do total nacional e 32,2% das dormidas de não residentes.

    Algarve e Ilhas: Desempenho Negativo

    O Algarve (-4,7%) e as Regiões Autónomas dos Açores (-5,8%) e da Madeira (-3,0%) apresentaram desempenho negativo. No caso do Algarve, a queda concentrou-se nos não residentes (-6,3%), possivelmente afetada pela concorrência de outros destinos de sol e praia e pelas condições meteorológicas adversas de janeiro. Os Açores registaram a queda mais acentuada nos não residentes (-10,3%).

    Proveitos e Rentabilidade: Receitas Crescem Acima das Dormidas

    Um dos sinais mais positivos dos dados de janeiro é o crescimento dos proveitos acima das dormidas, indicando uma valorização do turismo português:

    • Proveitos totais: 276,8 milhões de euros (+5,6%)
    • Proveitos de aposento: 199,5 milhões de euros (+5,6%)

    RevPAR e ADR: Indicadores de Gestão Hoteleira

    O RevPAR (rendimento médio por quarto disponível) fixou-se em 33,8 euros (+1,3%), enquanto o ADR (rendimento médio por quarto ocupado) atingiu 92,1 euros (+3,4%). O crescimento do ADR acima do RevPAR indica que os hotéis estão a conseguir aumentar os preços médios, mas com uma ligeira redução nas taxas de ocupação.

    Destaques Regionais de Rentabilidade

    RegiãoRevPAR (€)ADR (€)Destaque
    RA Madeira64,9112,8Maior ADR e maior crescimento (+11,6%)
    Grande Lisboa54,5109,6Segunda maior rentabilidade
    Centro——Maior crescimento RevPAR (+11,5%)

    A Madeira e Lisboa posicionam-se como os destinos premium de Portugal, com ADR superiores a 100 euros. A região Centro destaca-se pelo maior crescimento de RevPAR, sugerindo um potencial de valorização significativo para investidores hoteleiros.

    Estada Média: Tendência de Encurtamento

    A estada média nos estabelecimentos de alojamento turístico fixou-se em 2,25 noites, refletindo uma diminuição de 1,7%. Esta tendência de encurtamento das estadias é consistente com padrões internacionais de viagens mais curtas e mais frequentes (city breaks).

    Por Região

    • RA Madeira: 4,62 noites (a mais elevada, com 5,14 noites para não residentes)
    • Algarve: 3,48 noites
    • RA Açores: 2,46 noites
    • Centro e Oeste: 1,56 noites (as mais curtas)

    O Alentejo destacou-se pelo maior aumento da estada média (+2,9%), atingindo 1,85 noites, sugerindo uma crescente atratividade desta região para estadias mais prolongadas — um sinal positivo para projetos de turismo rural e de natureza.

    Principais Municípios: Lisboa, Funchal e Porto no Topo

    A análise por municípios revela a concentração do turismo nos grandes polos urbanos e destinos insulares:

    MunicípioDormidas (milhares)Peso (%)Variação
    Lisboa943,525,2%+5,2%
    Funchal417,711,2%-3,7%
    Porto351,29,4%+11,1%
    Albufeira———
    Loulé———

    O Porto é o grande destaque municipal, com um crescimento robusto de 11,1% que abrange tanto residentes como não residentes. Portimão também merece atenção, com +6,3% no total e um expressivo +16,2% nas dormidas de residentes.

    Oportunidades para Quem Planeia Viver ou Investir em Portugal

    Os dados do turismo de janeiro de 2026 oferecem sinais claros para diferentes perfis de interessados em Portugal:

    Para Investidores no Setor Hoteleiro

    O crescimento dos proveitos acima das dormidas e o aumento do ADR indicam margem para investimentos em hotelaria, especialmente nas regiões Centro (maior crescimento de RevPAR) e Norte (maior crescimento de dormidas). Os titulares de vistos D2 (empreendedor) encontram um setor em valorização.

    Para Profissionais do Turismo

    Com 2025 a registar resultados históricos (32,5 milhões de hóspedes e 82,1 milhões de dormidas no ano), o setor turístico continua a gerar oportunidades de emprego e carreira. Para quem pretende trabalhar em Portugal através de um visto D1, o turismo é um dos setores com maior procura de profissionais.

    Para Nómadas Digitais

    A diversificação regional do turismo — com o Norte, o Centro e o Alentejo a registar crescimentos expressivos — demonstra que Portugal oferece múltiplas localizações atrativas para quem trabalha remotamente com visto D8 (nómada digital).

    Fontes e Referências

    • INE – Instituto Nacional de Estatística. Atividade Turística – Janeiro de 2026 – Estatísticas Rápidas. Publicado em 27 de fevereiro de 2026.
    • Banco de Portugal. Boletim Económico – Dezembro 2025. Projeções macroeconómicas para 2026.
    • INE. Estatísticas do Turismo 2025 – Resultados Provisórios. 32,5 milhões de hóspedes e 82,1 milhões de dormidas em 2025.

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    Sobre a autora

    Dra. Débora Friedrich Izquierdo

    Dra. Débora Friedrich Izquierdo

    Advogada, Sócia-fundadora do Studio Cidadania

    Inscrita na Ordem dos Advogados de Portugal e na OAB. Mais de 10 anos dedicados a processos de cidadania portuguesa, italiana e espanhola, com atuação direta em Lisboa e mais de 500 famílias representadas.

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