Europa HojeEUR/BRL 5,87·USD/BRL 5,22·EUR/USD 1,12Ver análise de hojeAtualizado em 02/10/2026 · Investing.com
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    Turismo continua forte em Portugal: 5,8 milhões de hóspedes com maior concentração em Lisboa, Norte e Algarve

    Em Notícias, PortugalPor Studio Cidadania7 min de leitura
    Turismo continua forte em Portugal: 5,8 milhões de hóspedes com maior concentração em Lisboa, Norte e Algarve - Guia completo sobre Notícias,Portugal | Studio Cidadania

    Turismo em Portugal cresce de forma moderada no arranque de 2026

    O setor do alojamento turístico em Portugal entrou em 2026 com um ritmo de crescimento mais contido do que o observado em 2025, mas continua a consolidar receitas. Os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados no destaque "Atividade Turística - 1.º Trimestre de 2026", confirmam que o país mantém a sua posição como destino europeu de referência, ainda que com sinais claros de normalização após anos de expansão acelerada.

    Para quem acompanha o mercado imobiliário, o setor do alojamento local ou pondera investir em Portugal, os números do trimestre desenham um quadro útil: a procura externa continua a sustentar o setor, os preços por quarto sobem e o emprego no alojamento mantém-se em expansão, ainda que a remuneração permaneça abaixo da média nacional.

    Hóspedes e dormidas: crescimento moderado, mas continuado

    Entre janeiro e março de 2026, os estabelecimentos de alojamento turístico em Portugal receberam 5,8 milhões de hóspedes e registaram 13,6 milhões de dormidas. Em termos homólogos, isso corresponde a variações de +1,5% e +1,3%, respetivamente. O ritmo é claramente inferior ao do 4.º trimestre de 2025, quando hóspedes e dormidas cresceram 2,9% e 1,9%.

    O INE alerta que o desempenho do 1.º trimestre pode ter sido afetado pela estrutura móvel do calendário, sobretudo pelo posicionamento da Páscoa, que em 2026 caiu fora do trimestre, ao contrário de anos anteriores. Esse efeito ajuda a explicar parte da desaceleração observada.

    Desempenho por segmento de alojamento

    A análise por segmento mostra dinâmicas distintas dentro do setor:

    SegmentoPeso nas dormidasVariação homóloga
    Hotelaria83,1%+2,0%
    Alojamento local (10 camas ou mais)13,9%-2,8%
    Turismo no espaço rural e habitação3,0%+2,9%

    A hotelaria tradicional concentra mais de quatro em cada cinco dormidas e voltou a crescer, com destaque para os aldeamentos turísticos (+13,7%) e os hotéis-apartamentos (+7,1%). Os hotéis de 5 estrelas registaram um aumento de 2,1%, enquanto as categorias mais baixas (1 e 2 estrelas) recuaram 5,0%, sinalizando uma migração persistente da procura para segmentos médios e superiores.

    O alojamento local contrariou a tendência geral ao registar uma quebra de 2,8%, refletindo um arrefecimento da procura por este formato, sobretudo nos grandes centros urbanos onde a regulação se intensificou.

    Mercados externos voltam a ganhar peso

    Após cinco trimestres consecutivos em que a dependência dos mercados externos diminuiu, o 1.º trimestre de 2026 inverteu o movimento: os não residentes geraram 9,2 milhões de dormidas (+1,4%) e passaram a representar 68,0% do total (+0,1 ponto percentual face ao trimestre homólogo).

    As dormidas de residentes totalizaram 4,3 milhões, com um crescimento de 1,2%, prolongando a trajetória de abrandamento iniciada em meados de 2025. Do total de 177,7 mil dormidas adicionais geradas no trimestre, 71,8% vieram de turistas estrangeiros.

    Principais mercados emissores

    O Reino Unido manteve-se como principal mercado externo, com peso historicamente concentrado no Algarve (mais de 40% das dormidas britânicas), seguido por Alemanha, Espanha, França e Estados Unidos. Os Países Baixos confirmaram igualmente a sua preferência pelo Algarve (55,2% das dormidas neerlandesas no país concentraram-se nessa região). O Canadá destacou-se como o mercado com maior crescimento homólogo, com um avanço de 10,6%, sinal de uma diversificação progressiva da procura transatlântica.

    Distribuição regional: Lisboa, Norte e Algarve concentram a procura

    A Grande Lisboa foi a região com maior volume de dormidas no trimestre, com 28,6% do total, seguida do Norte (18,9%) e do Algarve (18,5%). A dependência dos mercados externos é particularmente elevada em três regiões:

    • Região Autónoma da Madeira: 85,9% das dormidas são de não residentes.
    • Algarve: 80,9%.
    • Grande Lisboa: 78,6%.

    Em contraste, o Centro e o Alentejo apresentaram a menor exposição ao turismo internacional, com 23,5% e 32,1%, respetivamente. O mercado interno continua a ser fundamental para sustentar a procura nestas regiões.

    Proveitos sobem mais do que as dormidas

    Apesar do crescimento moderado em volume, o setor manteve uma evolução favorável em valor. Os proveitos totais ascenderam a 1,0 mil milhões de euros, um aumento de 5,5% face ao 1.º trimestre de 2025. Os proveitos de aposento atingiram 734,5 milhões de euros (+5,1%). A diferença entre o crescimento das dormidas (+1,3%) e o crescimento dos proveitos (+5,5%) confirma que os preços médios por quarto e por hóspede continuam a subir, com os indicadores RevPAR (rendimento por quarto disponível) e ADR (preço médio por quarto vendido) a acelerar no período.

    Emprego e remunerações no alojamento

    acordo com a informação cruzada da Declaração Mensal de Remunerações (DMR/SS) e da Caixa Geral de Aposentações (CGA), a remuneração bruta mensal média por trabalhador nas atividades de alojamento (divisão 55 da CAE-Rev.3) atingiu 1.351 euros no 1.º trimestre de 2026, um aumento de 5,0% face ao período homólogo.

    Este valor situa-se 259 euros abaixo da média do total da economia portuguesa, evidenciando a persistente diferença salarial entre o setor do turismo e os restantes setores de atividade. Ainda assim, o ritmo de subida das remunerações no alojamento acompanhou a evolução geral da economia, também em +5,0%.

    O que estes números dizem sobre Portugal como destino

    Os dados do 1.º trimestre de 2026 confirmam três tendências relevantes para investidores, profissionais e famílias que avaliam Portugal:

    • Maturidade do mercado: o crescimento desacelera para níveis sustentáveis, característicos de um destino consolidado.
    • Premiumização da oferta: a procura migra para segmentos médios e superiores, com hotéis de 4 e 5 estrelas e aldeamentos turísticos a crescerem acima da média.
    • Diversificação de mercados emissores: a expansão do Canadá e a manutenção do peso americano reforçam a relevância da bacia atlântica como complemento aos mercados europeus tradicionais.

    Para quem pondera obter residência em Portugal através de programas como o Visto D7 ou avaliar oportunidades de investimento, o quadro é de um mercado que continua atrativo, com receitas em crescimento e procura diversificada, mas que entra numa fase de normalização que exige análise mais cuidada do segmento e da localização.

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    Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE), destaque "Atividade Turística - 1.º Trimestre de 2026".

    Sobre a autora

    Dra. Débora Friedrich Izquierdo

    Dra. Débora Friedrich Izquierdo

    Advogada, Sócia-fundadora do Studio Cidadania

    Inscrita na Ordem dos Advogados de Portugal e na OAB. Mais de 10 anos dedicados a processos de cidadania portuguesa, italiana e espanhola, com atuação direta em Lisboa e mais de 500 famílias representadas.

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