Portugal: Consumo de álcool na UE em 2025, dados da OCDE

Um novo relatório da OCDE coloca Portugal entre os três maiores consumidores de álcool da União Europeia. Com 11,9 litros de álcool puro per capita por ano, os portugueses superam significativamente a média europeia. Mas o que está por trás destes números e quais as implicações para a saúde pública?
📊 Dados Principais do Relatório
- Média da OCDE: 8,5 litros de álcool puro per capita (2023)
- Líderes da UE: Roménia, Portugal e Letónia (mais de 11,5 litros)
- Menor consumo: Grécia (6,6 litros per capita)
O Ranking do Consumo de Álcool na União Europeia
acordo com o relatório Health at a Glance 2025 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o consumo anual de álcool per capita atingiu uma média de 8,5 litros de álcool puro nos países da OCDE em 2023.
entanto, quando analisamos os dados específicos da União Europeia, encontramos variações significativas entre os países:
| Posição | País | Consumo Per Capita (Litros/Ano) | Variação 2013-2023 |
|---|---|---|---|
| 1º | Roménia | 12,1 litros | ↑ +2,0 litros |
| 2º | Portugal | 11,9 litros | ↑ +2,3 litros |
| 3º | Letónia | 11,5 litros | — |
| ... | Média OCDE | 8,5 litros | — |
| Último | Grécia | 6,6 litros | — |
Portugal: Líder no Consumo Diário de Álcool
Os números tornam-se ainda mais expressivos quando analisamos o consumo diário. Segundo dados do Eurostat, Portugal destaca-se como o país onde a percentagem de consumo diário de álcool é maior em toda a Europa.
Consumo Diário de Álcool na Europa
- Portugal: 21,4% da população consome álcool diariamente
- Espanha: 13,5%
- Itália: 12,4%
- França: 10,4%
- Croácia: 10,4%
- Bélgica: 10,0%
A análise por género revela disparidades significativas. Em Portugal, 33,4% dos homens consomem álcool diariamente, contra apenas 9,7% das mulheres — a maior diferença de género registada na União Europeia.
Tendências na Última Década: Quem Aumentou e Quem Reduziu?
Apesar da tendência geral de redução do consumo de álcool na maioria dos países europeus, alguns apresentaram aumentos significativos:
Países com Maior Redução (2013-2023)
- Bélgica: redução de mais de 2,5 litros per capita
- Lituânia: redução de mais de 2,5 litros per capita
Países com Maior Aumento (2013-2023)
- Portugal: aumento de mais de 2 litros per capita
- Espanha: aumento de mais de 2 litros per capita
- Roménia: aumento de mais de 2 litros per capita
O Problema do Consumo Excessivo (Binge Drinking)
O relatório também analisa o fenómeno do binge drinking — o consumo de grandes quantidades de álcool num curto período de tempo. Em 2023, 27% das pessoas com 15 anos ou mais consumiram grandes quantidades de álcool pelo menos uma vez por mês, em média nos 27 países da OCDE.
| País | Taxa de Binge Drinking Mensal |
|---|---|
| Grécia | Mais de 40% |
| Irlanda | Mais de 40% |
| Suécia | Mais de 40% |
| Hungria | Menos de 15% |
| Eslovénia | Menos de 15% |
| Croácia | Menos de 15% |
Curiosamente, a Grécia, apesar de ter o menor consumo per capita anual, apresenta uma das maiores taxas de consumo excessivo episódico — um padrão que reflete diferentes culturas de consumo.
O Consumo Precoce Entre os Jovens
Um dado preocupante do relatório é o aumento do consumo de álcool entre crianças. A proporção de crianças de 11 anos que bebem álcool aumentou de 4% para 5% entre 2018 e 2022.
⚠️ Alerta Sobre Consumo Precoce
- 5% das crianças de 11 anos relatam ter consumido álcool no último mês
- 15% das crianças de 13 anos relatam ter consumido álcool no último mês
- Países com maiores taxas entre os 11 anos: Chéquia, França, Hungria, Bulgária e Roménia (10% ou mais)
Quanto à embriaguez repetida entre jovens de 15 anos:
- Dinamarca, Hungria e Bulgária: mais de 35%
- Portugal: menos de 10% (um dos mais baixos da UE)
Impacto na Saúde Pública
A União Europeia é a sub-região com o maior consumo de álcool do mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Este consumo está diretamente associado a:
- Risco acrescido de cancro da boca, garganta, fígado, colorrectal e mama
- Maior probabilidade de hemorragias cerebrais na velhice
- Agravamento de condições de saúde mental
- Declínio das funções cognitivas
- Comportamentos de risco e acidentes
"Nenhum nível de consumo de álcool é seguro para a nossa saúde."
— Organização Mundial de Saúde (OMS)
Medidas Regulatórias na Europa
Para combater o consumo excessivo, vários países têm adotado medidas regulatórias:
Exemplo: Bélgica (Plano de Ação 2023-2025)
- Proibição de venda de álcool em máquinas de venda automática
- Restrição de vendas em estações de serviço de autoestradas (22h-7h)
- Proibição de venda em hospitais
Por Que Portugal Consome Tanto Álcool?
O elevado consumo de álcool em Portugal pode ser explicado por diversos fatores culturais e socioeconómicos:
- Tradição vinícola: Portugal é um dos maiores produtores de vinho do mundo, com vinhas em praticamente todo o território
- Cultura mediterrânica: o consumo de vinho às refeições é culturalmente aceite e até incentivado
- Preços acessíveis: o álcool em Portugal é relativamente barato comparado com outros países europeus
- Socialização: o consumo de álcool está integrado em eventos sociais, familiares e profissionais
O Que os Brasileiros Que Emigram Para a Europa Devem Saber
Para brasileiros que pretendem morar em Portugal ou outros países europeus, é importante compreender:
- Cultura diferente: o consumo de álcool, especialmente vinho, é mais presente no quotidiano europeu
- Legislação: a idade mínima para consumo varia entre países (18 anos na maioria)
- Condução: limites de álcool para conduzir são rigorosos (0,5 g/L na maioria dos países da UE)
- Saúde: os sistemas de saúde europeus cada vez mais alertam para os riscos do consumo
📰 Fonte Original
Esta notícia foi inspirada no artigo da Euronews: Quem são os maiores consumidores de álcool na UE?, publicado em 26 de novembro de 2025, com base no relatório Health at a Glance 2025 da OCDE.
Conclusão
Os dados do relatório Health at a Glance 2025 revelam um cenário preocupante para Portugal, que se destaca não apenas pelo alto consumo per capita, mas também pelo aumento registado na última década — contrariando a tendência de redução observada em muitos países europeus.
Para quem planeia emigrar para a Europa, compreender estes padrões culturais é essencial para uma melhor integração. E para os residentes, os alertas da OMS sobre os riscos à saúde devem ser considerados com seriedade.
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Dra. Débora Friedrich Izquierdo
Advogada, Sócia-fundadora do Studio Cidadania
Inscrita na Ordem dos Advogados de Portugal e na OAB. Mais de 10 anos dedicados a processos de cidadania portuguesa, italiana e espanhola, com atuação direta em Lisboa e mais de 500 famílias representadas.
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