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Habitação na Europa 2025: Preços e moradia na UE, Eurostat

Quanto custa morar na Europa? Onde é mais fácil comprar casa? Onde o aluguel pesa mais no bolso? Se você está planejando sua mudança para Portugal, Espanha, Itália ou qualquer outro país da União Europeia, o relatório Housing in Europe 2025, publicado pelo Eurostat, oferece as respostas mais completas e atualizadas disponíveis.
Neste guia, "mastigamos" os dados oficiais de 2025 para trazer o que realmente importa para quem é do Brasil. Vamos te mostrar onde ainda vale a pena investir, onde o custo de vida deu um salto e como preparar o bolso para não ter surpresar com o mercado imobiliário europeu.
Proprietários vs. Inquilinos: Quem Mora Onde na Europa
Em 2024, 68% da população da UE vivia em imóveis próprios, enquanto os restantes 32% eram inquilinos. Mas essa média esconde diferenças enormes entre países:
| País | Proprietários (%) | Inquilinos (%) |
|---|---|---|
| Romênia | 94 | 6 |
| Eslováquia | 93 | 7 |
| Hungria | 92 | 8 |
| Croácia | 91 | 9 |
| Espanha | ~75 | ~25 |
| Portugal | ~74 | ~26 |
| Itália | ~73 | ~27 |
| Dinamarca | 61 | 39 |
| Áustria | 54 | 46 |
| Alemanha | 47 | 53 |
Fonte: Eurostat — Housing in Europe 2025.
Sabia que a Alemanha é o único país da UE onde alugar é a regra e não a exceção? Com 53% da população vivendo de aluguel, o mercado em cidades como Berlim e Munique é feroz. Se o seu plano é morar lá, nosso conselho é: comece a procurar onde morar muito antes de fazer as malas.
Já nos países onde brasileiros mais buscam cidadania e residência — Espanha, Portugal e Itália —, a cultura de casa própria ainda predomina, com taxas de propriedade entre 73% e 75%.
Casa ou Apartamento? O Perfil da Moradia Europeia
Na UE em 2024, 51% da população vivia em casas e 48% em apartamentos (1% em outras formas de moradia). A distribuição varia muito por país e por contexto urbano:
- Irlanda — 90% moram em casas (maior taxa da UE)
- Holanda e Bélgica — 77% em casas
- Espanha — 65% moram em apartamentos
- Letônia — 64% em apartamentos
- Malta — 63% em apartamentos
Nas cidades europeias, 73% da população vive em apartamentos. Em áreas rurais, 83% moram em casas. Se você pretende morar em Madrid, Barcelona, Lisboa ou Roma, quase certamente estará em um apartamento.
Tamanho das Moradias: Espaço por Pessoa
Em média, cada pessoa na UE dispõe de 1,7 cômodos. Mas a variação é significativa:
| País | Cômodos por Pessoa | Pessoas por Domicílio |
|---|---|---|
| Malta | 2,2 | 2,5 |
| Bélgica | 2,1 | 2,3 |
| Luxemburgo | 2,1 | 2,4 |
| Holanda | 2,1 | 2,2 |
| Alemanha | 1,8 | 2,0 |
| Finlândia | 1,7 | 1,9 |
| Polônia | 1,2 | 2,9 |
| Letônia | 1,2 | 2,3 |
| Romênia | 1,1 | 2,5 |
| Eslováquia | 1,1 | 3,1 |
Fonte: Eurostat — Housing in Europe 2025.
A média da UE é de 2,3 pessoas por domicílio. A Eslováquia tem a maior média (3,1), enquanto Finlândia e Lituânia têm a menor (1,9). Para quem vem do Brasil, onde a média gira em torno de 2,9 pessoas por domicílio, os apartamentos europeus podem parecer menores — mas são projetados para famílias menores.
Qualidade da Habitação: Superlotação e Conforto
A qualidade vai muito além do tamanho. O Eurostat mede vários indicadores que impactam diretamente o dia a dia de quem mora na Europa:
Superlotação: 17% da UE vive em moradias superlotadas
Em 2024, 17% da população europeia vivia em domicílios superlotados — uma queda em relação aos 19% de 2010. Os extremos:
| Maiores Taxas de Superlotação | % | Menores Taxas | % |
|---|---|---|---|
| Romênia | 41 | Chipre | 2 |
| Letônia | 39 | Malta | 4 |
| Bulgária | 34 | Holanda | 5 |
Sub-ocupação: 33% moram em casas "grandes demais"
Do outro lado, 33% da população vive em domicílios sub-ocupados — geralmente casais ou idosos que permaneceram em residências grandes após os filhos saírem. As maiores taxas: Chipre (70%), Irlanda (67%) e Malta (64%).
Capacidade de aquecimento: 9% não conseguem aquecer a casa
Este indicador é crucial para brasileiros que não estão acostumados com invernos europeus. Em 2024, 9% da população da UE não tinha capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida. Os países mais afetados foram:
- Bulgária e Grécia — 19% cada
- Lituânia e Espanha — 18% cada
- Finlândia, Eslovênia e Polônia — menos de 3%
Um dado da Espanha que a gente sempre gosta de destacar: 18% das pessoas lá sofrem para aquecer o lar. Para quem vem do Brasil, o frio europeu engana. Se você planeja morar em regiões como Castilla y León ou Aragão, não se iluda com o sol; o gasto com calefação vai ser uma parte generosa do seu orçamento. (Dê uma olhada no nosso relatório sobre o dia a dia na Espanha.)
Discriminação na Busca por Moradia
Um dado que raramente é discutido mas que impacta diretamente imigrantes: quase 6% das pessoas na UE que buscaram moradia nos últimos 5 anos relataram discriminação. Os piores números:
- Espanha e Eslovênia — 9% cada
- Bélgica e Chipre — taxas elevadas para população em risco de pobreza (17%)
- Croácia, Hungria, Itália e Romênia — menos de 1%
Para pessoas em risco de pobreza, a discriminação é o dobro da média geral (10% vs. 5%). Este é um alerta importante para brasileiros recém-chegados, que podem enfrentar barreiras adicionais no mercado imobiliário.
Evolução dos Preços dos Imóveis (2010-2024)
Aqui vem o dado que mais interessa a quem quer comprar imóvel na Europa:
Preços de imóveis: +53% na UE desde 2010
Os preços dos imóveis subiram 53% na UE entre 2010 e 2024, com tendência de alta consistente desde 2013 (exceto uma leve queda de 0,3% em 2023). Os aumentos mais expressivos:
| País | Variação Preço Imóveis 2010-2024 (%) | Variação Aluguéis (%) | Inflação Geral (%) |
|---|---|---|---|
| Hungria | +231 | +107 | +86 |
| Estônia | +228 | +208 | +76 |
| Lituânia | +179 | +177 | +51 |
| Irlanda | +108 (aluguéis) | +108 | +24 |
| Itália | queda | estável | +25 |
| Chipre | queda | — | +23 |
| Grécia | — | -16 (queda) | +20 |
Fonte: Eurostat — Housing in Europe 2025. Nota: Itália e Chipre foram os únicos países com queda nos preços dos imóveis no período. A Grécia foi o único onde os aluguéis caíram (-16%).
Aluguéis: +25% na UE
Os aluguéis subiram 25% em toda a UEmesmo período — bem abaixo da alta dos preços de compra. Mas em países como Estônia (+208%), Lituânia (+177%) e Irlanda (+108%), o aumento foi explosivo.
Custos de construção: +56%
Os custos de construção subiram 56% na UE entre 2010 e 2024. Os maiores aumentos: Hungria (+172%), Bulgária (+145%) e Romênia (+137%). Os menores: Grécia (+6%), Itália (+23%) e Chipre (+25%).
Quanto do Seu Salário Vai para a Moradia?
Em média, as famílias europeias gastam 19% da renda disponível com moradia. Mas para quem tem renda abaixo da mediana, essa proporção salta para 37%.
| País | % Renda em Habitação (Geral) | % Renda em Habitação (Risco de Pobreza) |
|---|---|---|
| Grécia | 36 | Muito alto |
| Dinamarca | 26 | Alto |
| Suécia | 25 | Alto |
| Alemanha | 25 | Alto |
| Média UE | 19 | 37 |
| Chipre | 11 | Menor |
Fonte: Eurostat — Housing in Europe 2025.
Sobrecarga habitacional: pior nas cidades
A taxa de sobrecarga habitacional (quando moradia consome mais de 40% da renda) é de 10% nas cidades vs. 6% em áreas rurais. Os maiores problemas urbanos estão na Grécia (29% nas cidades) e Dinamarca (23%).
Atrasos em hipoteca, aluguel ou contas: 9% da UE
Em 2024, 9% da população europeia vivia em domicílios com atrasos em hipoteca, aluguel ou contas de serviços públicos. A Grécia lidera com 43%, seguida por Bulgária (19%) e Romênia (15%). A boa notícia: esse indicador caiu de 12% em 2010 para 9% em 2024.
Setor de Construção: Investimento e Tendências
O setor de construção representa 5,5% do valor acrescentado bruto (VAB) da UE em 2024, com 5,3% do PIB investido em habitação.
Licenças de construção em queda
Em 2024, 1,5 milhão de licenças de construção foram concedidas na UE — uma queda significativa em relação ao pico de quase 2 milhões em 2021. A Polônia liderou (287 mil), seguida pela França (284 mil).
Entre 2010 e 2024, as licenças aumentaram em 18 países e caíram em 9. Os maiores aumentos: Bulgária (+211%), Malta (+98%) e Espanha (+96%). As maiores quedas: Itália (-50%), Finlândia (-49%) e França (-36%).
Impacto ambiental: emissões domésticas em queda
As emissões de gases de efeito estufa dos domicílios para aquecimento e climatização caíram de 921 kg per capita em 2010 para 607 kg em 2023 na UE. Os extremos: Luxemburgo (1.257 kg) e Suécia (apenas 29 kg, graças à energia renovável).
O Que Esses Dados Significam para Brasileiros na Europa
1. Portugal: mercado aquecido mas com oportunidades regionais
Portugal experimentou um dos maiores aumentos de preços imobiliários da Europa Ocidental. Lisboa e Porto estão caros, mas cidades como Braga, Coimbra e Aveiro oferecem custos significativamente menores. A cultura de casa própria (cerca de 74% dos portugueses) facilita o planejamento de longo prazo, e o programa Golden Visa ainda atrai investidores.
2. Espanha: aluguel acessível, mas atenção ao aquecimento
A Espanha teve um aumento moderado nos preços dos imóveis comparado à média europeia, mantendo-se mais acessível que Portugal em muitas regiões. Mas o dado de 18% da população com dificuldade de aquecer a casa é um alerta: o custo de energia no inverno pode surpreender brasileiros. Confira nosso guia de custos na Espanha.
3. Itália: exceção europeia com preços em queda
A Itália é um dos únicos dois países da UE onde os preços dos imóveis caíram entre 2010 e 2024. Para brasileiros descendentes de italianos buscando cidadania italiana, isso representa uma oportunidade: é possível adquirir imóveis em regiões como a Calábria, Sicília ou Sardenha a preços muito abaixo da média europeia.
4. O pé de meia precisa ser maior do que você imagina
Embora a média de gasto com moradia seja de 19% na Europa, a vida real para quem está chegando costuma ser mais cara. Na nossa experiência, a regra de ouro é: não cruze o Atlântico sem uma reserva para pelo menos 6 meses. E lembre-se de incluir no cálculo o aquecimento, um "vilão" silencioso que a gente não conhece no Brasil.
Metodologia
Os dados apresentados neste artigo são provenientes da publicação oficial Housing in Europe — 2025 edition, publicada pelo Eurostat, o serviço de estatísticas da União Europeia. As principais fontes de dados incluem:
- EU Statistics on Income and Living Conditions (EU-SILC) — para dados de propriedade, superlotação e qualidade
- House Price Index (HPI) — para evolução de preços
- Harmonised Index of Consumer Prices (HICP) — para dados de inflação e aluguéis
- Dados de contas nacionais — para investimento em habitação e VAB do setor de construção
Ano de referência: 2024 para a maioria dos indicadores. Os textos do Eurostat foram finalizados em novembro de 2025.
Quanto custa morar na Europa em 2024?
Em média, as famílias europeias gastam 19% da renda disponível com moradia. A Grécia lidera com 36%, enquanto Chipre tem a menor proporção (11%). Os custos de habitação na Irlanda são os mais altos da UE (87% acima da média).
Quanto subiram os preços dos imóveis na Europa?
Os preços subiram 53% na UE entre 2010 e 2024. Os maiores aumentos foram na Hungria (+231%), Estônia (+228%) e Lituânia (+179%). A Itália e Chipre foram os únicos países com queda de preços.
Quantas pessoas vivem em casas próprias na Europa?
68% da população da UE vive em imóveis próprios. A Romênia tem a maior taxa (94%), e a Alemanha é o único país onde alugar é mais comum que comprar (53% são inquilinos).
Qual é a qualidade das moradias na Europa?
17% vivem em moradias superlotadas (maior na Romênia: 41%), e 9% não conseguem aquecer a casa (maior na Bulgária e Grécia: 19%). Em contrapartida, 33% vivem em moradias sub-ocupadas.
Quais países europeus têm moradia mais barata?
Os custos de habitação mais baixos em relação à média da UE estão na Polônia (49% abaixo), Croácia (44% abaixo) e Bulgária (38% abaixo). A Itália também oferece oportunidades com preços em queda.
Vale a pena comprar imóvel em Portugal, Espanha ou Itália?
Depende do país e da região. Portugal teve valorização significativa mas ainda oferece oportunidades fora de Lisboa/Porto. A Espanha mantém preços moderados. A Itália é uma exceção com preços em queda, ideal para quem busca investimento de longo prazo.
Artigo elaborado pela equipe Studio Cidadania com base em dados oficiais do Eurostat. Última atualização: fevereiro de 2026.
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Dra. Débora Friedrich Izquierdo
Advogada, Sócia-fundadora do Studio Cidadania
Inscrita na Ordem dos Advogados de Portugal e na OAB. Mais de 10 anos dedicados a processos de cidadania portuguesa, italiana e espanhola, com atuação direta em Lisboa e mais de 500 famílias representadas.
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