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    Habitação na Europa 2025: Preços e moradia na UE, Eurostat

    Em Morar no Exterior, Europa, EconomiaPor Studio Cidadania18 min de leitura
    Habitação na Europa 2025: Preços e moradia na UE, Eurostat - Guia completo sobre Morar no Exterior,Europa,Economia | Studio Cidadania

    Quanto custa morar na Europa? Onde é mais fácil comprar casa? Onde o aluguel pesa mais no bolso? Se você está planejando sua mudança para Portugal, Espanha, Itália ou qualquer outro país da União Europeia, o relatório Housing in Europe 2025, publicado pelo Eurostat, oferece as respostas mais completas e atualizadas disponíveis.

    Neste guia, "mastigamos" os dados oficiais de 2025 para trazer o que realmente importa para quem é do Brasil. Vamos te mostrar onde ainda vale a pena investir, onde o custo de vida deu um salto e como preparar o bolso para não ter surpresar com o mercado imobiliário europeu.

    Proprietários vs. Inquilinos: Quem Mora Onde na Europa

    Em 2024, 68% da população da UE vivia em imóveis próprios, enquanto os restantes 32% eram inquilinos. Mas essa média esconde diferenças enormes entre países:

    PaísProprietários (%)Inquilinos (%)
    Romênia946
    Eslováquia937
    Hungria928
    Croácia919
    Espanha~75~25
    Portugal~74~26
    Itália~73~27
    Dinamarca6139
    Áustria5446
    Alemanha4753

    Fonte: Eurostat — Housing in Europe 2025.

    Sabia que a Alemanha é o único país da UE onde alugar é a regra e não a exceção? Com 53% da população vivendo de aluguel, o mercado em cidades como Berlim e Munique é feroz. Se o seu plano é morar lá, nosso conselho é: comece a procurar onde morar muito antes de fazer as malas.

    Já nos países onde brasileiros mais buscam cidadania e residência — Espanha, Portugal e Itália —, a cultura de casa própria ainda predomina, com taxas de propriedade entre 73% e 75%.

    Casa ou Apartamento? O Perfil da Moradia Europeia

    Na UE em 2024, 51% da população vivia em casas e 48% em apartamentos (1% em outras formas de moradia). A distribuição varia muito por país e por contexto urbano:

    • Irlanda — 90% moram em casas (maior taxa da UE)
    • Holanda e Bélgica — 77% em casas
    • Espanha — 65% moram em apartamentos
    • Letônia — 64% em apartamentos
    • Malta — 63% em apartamentos

    Nas cidades europeias, 73% da população vive em apartamentos. Em áreas rurais, 83% moram em casas. Se você pretende morar em Madrid, Barcelona, Lisboa ou Roma, quase certamente estará em um apartamento.

    Tamanho das Moradias: Espaço por Pessoa

    Em média, cada pessoa na UE dispõe de 1,7 cômodos. Mas a variação é significativa:

    PaísCômodos por PessoaPessoas por Domicílio
    Malta2,22,5
    Bélgica2,12,3
    Luxemburgo2,12,4
    Holanda2,12,2
    Alemanha1,82,0
    Finlândia1,71,9
    Polônia1,22,9
    Letônia1,22,3
    Romênia1,12,5
    Eslováquia1,13,1

    Fonte: Eurostat — Housing in Europe 2025.

    A média da UE é de 2,3 pessoas por domicílio. A Eslováquia tem a maior média (3,1), enquanto Finlândia e Lituânia têm a menor (1,9). Para quem vem do Brasil, onde a média gira em torno de 2,9 pessoas por domicílio, os apartamentos europeus podem parecer menores — mas são projetados para famílias menores.

    Qualidade da Habitação: Superlotação e Conforto

    A qualidade vai muito além do tamanho. O Eurostat mede vários indicadores que impactam diretamente o dia a dia de quem mora na Europa:

    Superlotação: 17% da UE vive em moradias superlotadas

    Em 2024, 17% da população europeia vivia em domicílios superlotados — uma queda em relação aos 19% de 2010. Os extremos:

    Maiores Taxas de Superlotação%Menores Taxas%
    Romênia41Chipre2
    Letônia39Malta4
    Bulgária34Holanda5

    Sub-ocupação: 33% moram em casas "grandes demais"

    Do outro lado, 33% da população vive em domicílios sub-ocupados — geralmente casais ou idosos que permaneceram em residências grandes após os filhos saírem. As maiores taxas: Chipre (70%), Irlanda (67%) e Malta (64%).

    Capacidade de aquecimento: 9% não conseguem aquecer a casa

    Este indicador é crucial para brasileiros que não estão acostumados com invernos europeus. Em 2024, 9% da população da UE não tinha capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida. Os países mais afetados foram:

    • Bulgária e Grécia — 19% cada
    • Lituânia e Espanha — 18% cada
    • Finlândia, Eslovênia e Polônia — menos de 3%

    Um dado da Espanha que a gente sempre gosta de destacar: 18% das pessoas lá sofrem para aquecer o lar. Para quem vem do Brasil, o frio europeu engana. Se você planeja morar em regiões como Castilla y León ou Aragão, não se iluda com o sol; o gasto com calefação vai ser uma parte generosa do seu orçamento. (Dê uma olhada no nosso relatório sobre o dia a dia na Espanha.)

    Discriminação na Busca por Moradia

    Um dado que raramente é discutido mas que impacta diretamente imigrantes: quase 6% das pessoas na UE que buscaram moradia nos últimos 5 anos relataram discriminação. Os piores números:

    • Espanha e Eslovênia — 9% cada
    • Bélgica e Chipre — taxas elevadas para população em risco de pobreza (17%)
    • Croácia, Hungria, Itália e Romênia — menos de 1%

    Para pessoas em risco de pobreza, a discriminação é o dobro da média geral (10% vs. 5%). Este é um alerta importante para brasileiros recém-chegados, que podem enfrentar barreiras adicionais no mercado imobiliário.

    Evolução dos Preços dos Imóveis (2010-2024)

    Aqui vem o dado que mais interessa a quem quer comprar imóvel na Europa:

    Preços de imóveis: +53% na UE desde 2010

    Os preços dos imóveis subiram 53% na UE entre 2010 e 2024, com tendência de alta consistente desde 2013 (exceto uma leve queda de 0,3% em 2023). Os aumentos mais expressivos:

    PaísVariação Preço Imóveis 2010-2024 (%)Variação Aluguéis (%)Inflação Geral (%)
    Hungria+231+107+86
    Estônia+228+208+76
    Lituânia+179+177+51
    Irlanda+108 (aluguéis)+108+24
    Itáliaquedaestável+25
    Chiprequeda—+23
    Grécia—-16 (queda)+20

    Fonte: Eurostat — Housing in Europe 2025. Nota: Itália e Chipre foram os únicos países com queda nos preços dos imóveis no período. A Grécia foi o único onde os aluguéis caíram (-16%).

    Aluguéis: +25% na UE

    Os aluguéis subiram 25% em toda a UEmesmo período — bem abaixo da alta dos preços de compra. Mas em países como Estônia (+208%), Lituânia (+177%) e Irlanda (+108%), o aumento foi explosivo.

    Custos de construção: +56%

    Os custos de construção subiram 56% na UE entre 2010 e 2024. Os maiores aumentos: Hungria (+172%), Bulgária (+145%) e Romênia (+137%). Os menores: Grécia (+6%), Itália (+23%) e Chipre (+25%).

    Quanto do Seu Salário Vai para a Moradia?

    Em média, as famílias europeias gastam 19% da renda disponível com moradia. Mas para quem tem renda abaixo da mediana, essa proporção salta para 37%.

    País% Renda em Habitação (Geral)% Renda em Habitação (Risco de Pobreza)
    Grécia36Muito alto
    Dinamarca26Alto
    Suécia25Alto
    Alemanha25Alto
    Média UE1937
    Chipre11Menor

    Fonte: Eurostat — Housing in Europe 2025.

    Sobrecarga habitacional: pior nas cidades

    A taxa de sobrecarga habitacional (quando moradia consome mais de 40% da renda) é de 10% nas cidades vs. 6% em áreas rurais. Os maiores problemas urbanos estão na Grécia (29% nas cidades) e Dinamarca (23%).

    Atrasos em hipoteca, aluguel ou contas: 9% da UE

    Em 2024, 9% da população europeia vivia em domicílios com atrasos em hipoteca, aluguel ou contas de serviços públicos. A Grécia lidera com 43%, seguida por Bulgária (19%) e Romênia (15%). A boa notícia: esse indicador caiu de 12% em 2010 para 9% em 2024.

    Setor de Construção: Investimento e Tendências

    O setor de construção representa 5,5% do valor acrescentado bruto (VAB) da UE em 2024, com 5,3% do PIB investido em habitação.

    Licenças de construção em queda

    Em 2024, 1,5 milhão de licenças de construção foram concedidas na UE — uma queda significativa em relação ao pico de quase 2 milhões em 2021. A Polônia liderou (287 mil), seguida pela França (284 mil).

    Entre 2010 e 2024, as licenças aumentaram em 18 países e caíram em 9. Os maiores aumentos: Bulgária (+211%), Malta (+98%) e Espanha (+96%). As maiores quedas: Itália (-50%), Finlândia (-49%) e França (-36%).

    Impacto ambiental: emissões domésticas em queda

    As emissões de gases de efeito estufa dos domicílios para aquecimento e climatização caíram de 921 kg per capita em 2010 para 607 kg em 2023 na UE. Os extremos: Luxemburgo (1.257 kg) e Suécia (apenas 29 kg, graças à energia renovável).

    O Que Esses Dados Significam para Brasileiros na Europa

    1. Portugal: mercado aquecido mas com oportunidades regionais

    Portugal experimentou um dos maiores aumentos de preços imobiliários da Europa Ocidental. Lisboa e Porto estão caros, mas cidades como Braga, Coimbra e Aveiro oferecem custos significativamente menores. A cultura de casa própria (cerca de 74% dos portugueses) facilita o planejamento de longo prazo, e o programa Golden Visa ainda atrai investidores.

    2. Espanha: aluguel acessível, mas atenção ao aquecimento

    A Espanha teve um aumento moderado nos preços dos imóveis comparado à média europeia, mantendo-se mais acessível que Portugal em muitas regiões. Mas o dado de 18% da população com dificuldade de aquecer a casa é um alerta: o custo de energia no inverno pode surpreender brasileiros. Confira nosso guia de custos na Espanha.

    3. Itália: exceção europeia com preços em queda

    A Itália é um dos únicos dois países da UE onde os preços dos imóveis caíram entre 2010 e 2024. Para brasileiros descendentes de italianos buscando cidadania italiana, isso representa uma oportunidade: é possível adquirir imóveis em regiões como a Calábria, Sicília ou Sardenha a preços muito abaixo da média europeia.

    4. O pé de meia precisa ser maior do que você imagina

    Embora a média de gasto com moradia seja de 19% na Europa, a vida real para quem está chegando costuma ser mais cara. Na nossa experiência, a regra de ouro é: não cruze o Atlântico sem uma reserva para pelo menos 6 meses. E lembre-se de incluir no cálculo o aquecimento, um "vilão" silencioso que a gente não conhece no Brasil.

    Metodologia

    Os dados apresentados neste artigo são provenientes da publicação oficial Housing in Europe — 2025 edition, publicada pelo Eurostat, o serviço de estatísticas da União Europeia. As principais fontes de dados incluem:

    Ano de referência: 2024 para a maioria dos indicadores. Os textos do Eurostat foram finalizados em novembro de 2025.

    Quanto custa morar na Europa em 2024?

    Em média, as famílias europeias gastam 19% da renda disponível com moradia. A Grécia lidera com 36%, enquanto Chipre tem a menor proporção (11%). Os custos de habitação na Irlanda são os mais altos da UE (87% acima da média).

    Quanto subiram os preços dos imóveis na Europa?

    Os preços subiram 53% na UE entre 2010 e 2024. Os maiores aumentos foram na Hungria (+231%), Estônia (+228%) e Lituânia (+179%). A Itália e Chipre foram os únicos países com queda de preços.

    Quantas pessoas vivem em casas próprias na Europa?

    68% da população da UE vive em imóveis próprios. A Romênia tem a maior taxa (94%), e a Alemanha é o único país onde alugar é mais comum que comprar (53% são inquilinos).

    Qual é a qualidade das moradias na Europa?

    17% vivem em moradias superlotadas (maior na Romênia: 41%), e 9% não conseguem aquecer a casa (maior na Bulgária e Grécia: 19%). Em contrapartida, 33% vivem em moradias sub-ocupadas.

    Quais países europeus têm moradia mais barata?

    Os custos de habitação mais baixos em relação à média da UE estão na Polônia (49% abaixo), Croácia (44% abaixo) e Bulgária (38% abaixo). A Itália também oferece oportunidades com preços em queda.

    Vale a pena comprar imóvel em Portugal, Espanha ou Itália?

    Depende do país e da região. Portugal teve valorização significativa mas ainda oferece oportunidades fora de Lisboa/Porto. A Espanha mantém preços moderados. A Itália é uma exceção com preços em queda, ideal para quem busca investimento de longo prazo.

    Artigo elaborado pela equipe Studio Cidadania com base em dados oficiais do Eurostat. Última atualização: fevereiro de 2026.

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    Sobre a autora

    Dra. Débora Friedrich Izquierdo

    Dra. Débora Friedrich Izquierdo

    Advogada, Sócia-fundadora do Studio Cidadania

    Inscrita na Ordem dos Advogados de Portugal e na OAB. Mais de 10 anos dedicados a processos de cidadania portuguesa, italiana e espanhola, com atuação direta em Lisboa e mais de 500 famílias representadas.

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