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    Custo do Trabalho em Portugal: Alta de 6,9% em 2025

    Em Morar no Exterior, PortugalPor Studio Cidadania10 min de leitura
    Custo do Trabalho em Portugal: Alta de 6,9% em 2025 - Guia completo sobre Morar no Exterior,Portugal | Studio Cidadania

    1. Resumo: Os Números-Chave de 2025

    Já saíram os novos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e os números não deixam dúvidas: o Índice de Custo do Trabalho (ICT) deu um salto no final de 2025. O destaque vai para o setor de Serviços, onde contratar e manter funcionários nunca pesou tanto no bolso das empresas como agora.

    Indicador4T 2025Acumulado 20252024
    ICT (total)+6,9%+5,5%+8,3%
    Custos salariais+7,0%+5,5%+8,3%
    Outros custos (contribuições)+6,9%+5,5%+8,2%
    Custo médio por trabalhador+4,9%+5,5%+6,5%
    Horas efetivamente trabalhadas-1,7%+0,2%-1,6%

    📌 O ponto-chave: O ICT subiu 6,9% no 4T 2025 — um salto face ao +4,8% do trimestre anterior. Mas atenção: este aumento deve-se tanto à subida dos custos médios (+4,9%) quanto à redução das horas trabalhadas (-1,7%). Quando se trabalham menos horas mas se paga mais por trabalhador, o custo por hora dispara. No acumulado anual, o ICT subiu 5,5% — uma desaceleração face aos 8,3% de 2024.

    2. O Que é o Índice de Custo do Trabalho?

    O Índice de Custo do Trabalho (ICT) é um indicador trimestral que mede a evolução dos custos laborais por hora efetivamente trabalhada suportados pelas entidades empregadoras. É calculado pelo INE e harmonizado com o Labour Cost Index (LCI) do Eurostat, permitindo comparações entre países da UE.

    O que inclui o ICT?

    ComponenteO que inclui
    Custos salariaisSalário base, subsídios de férias e Natal, prémios, horas extraordinárias
    Outros custosContribuições patronais para a Segurança Social, seguro de acidentes de trabalho, indemnizações por despedimento, encargos convencionais

    Como é calculado?

    Na prática, o cálculo é simples: pega-se o custo médio por trabalhador e divide-se pelas horas que ele realmente trabalhou. Por isso, o índice sobe em dois cenários: se o salário aumentar ou se a equipe trabalhar menos horas pelo mesmo valor. Em 2025, vimos um pouco de tudo isso acontecendo ao mesmo tempo.

    Em 2025, o ICT abrange informação de aproximadamente 456 mil entidades com remunerações declaradas à Segurança Social e à Caixa Geral de Aposentações, correspondendo a cerca de 4,7 milhões de trabalhadores.

    3. 4.º Trimestre de 2025: Aceleração para 6,9%

    O ICT acelerou significativamente no 4.º trimestre de 2025, passando de +4,8% no 3T para +6,9% no 4T. Esta aceleração resultou de dois fatores simultâneos:

    Fator3T 20254T 2025Tendência
    Custo médio por trabalhador+5,2%+4,9%Abrandou ligeiramente
    Horas efetivamente trabalhadas+0,2%-1,7%Inverteu para negativo ❌
    ICT resultante+4,8%+6,9%Acelerou fortemente ⚠️

    O que realmente "puxou" o índice para cima foi a queda na carga horária (-1,7%). Mesmo com a malta trabalhando menos tempo no último trimestre, os custos fixos não deram trégua — e o resultado é um custo por hora muito mais salgado para quem emprega.

    ⚠️ Atenção à interpretação: Um ICT em alta não significa necessariamente que os salários estão a subir rapidamente. Pode refletir menos horas trabalhadas (feriados, absentismo, redução de horário), o que encarece o custo por hora mesmo sem grandes aumentos salariais. O 4T de 2025 é um exemplo claro: o custo por trabalhador subiu "apenas" 4,9%, mas o ICT subiu 6,9% porque as horas caíram 1,7%.

    4. Análise por Setores: Serviços Disparam 9,7%

    A análise setorial revela disparidades enormes no 4.º trimestre de 2025:

    SetorICT 4T 2025ICT 3T 2025Custos SalariaisOutros Custos
    Serviços (G-N)+9,7% 🔴+5,4%+9,7%+9,5%
    Indústria (B-E)+5,8%+6,7%+5,8%+5,8%
    Construção (F)+5,8%+5,7%+5,8%+5,6%
    Administração Pública+4,2%+3,5%+4,2%+4,2%

    Serviços: O Grande Destaque

    O setor dos Serviços (que inclui comércio, transportes, alojamento, restauração, atividades financeiras, imobiliárias e de consultoria) registou um aumento de 9,7%ICT — quase o dobro do trimestre anterior (+5,4%). Este salto deve-se a:

    • Custo médio por trabalhador: +4,9%
    • Horas efetivamente trabalhadas: -4,2% — a maior queda entre todos os setores

    A combinação de custos em alta com uma redução drástica das horas trabalhadas explica o valor aparentemente alarmante de 9,7%. Este setor é o maior empregador da economia portuguesa e concentra a maioria dos trabalhadores imigrantes, incluindo brasileiros.

    Indústria e Construção: Estabilidade

    A Indústria e a Construção registaram aumentos idênticos de 5,8%. Na Construção, o custo médio por trabalhador subiu 6,4% — o maior entre todos os setores —, mas as horas trabalhadas aumentaram 0,6%, atenuando o impacto no ICT. Na Indústria, o custo por trabalhador subiu 4,9%, mas as horas caíram 0,8%.

    Administração Pública: O Mais Moderado

    A Administração Pública registou o menor aumento (4,2%), com um crescimento de 4,8% no custo por trabalhador parcialmente compensado pelo aumento de 0,7% nas horas trabalhadas.

    5. Custos por Trabalhador vs. Horas Trabalhadas

    Para compreender verdadeiramente o ICT, é essencial separar as suas duas componentes:

    SetorCusto Médio/TrabalhadorHoras Trabalhadas/TrabalhadorICT Resultante
    Serviços+4,9%-4,2%+9,7%
    Construção+6,4%+0,6%+5,8%
    Indústria+4,9%-0,8%+5,8%
    Administração Pública+4,8%+0,7%+4,2%
    Total+4,9%-1,7%+6,9%

    A leitura desta tabela é fundamental: a Construção tem o maior aumento de custos por trabalhador (+6,4%), mas como as horas trabalhadas também aumentaram, o ICT final é moderado. Os Serviços têm o mesmo aumento de custos que a Indústria (+4,9%), mas a enorme queda de horas (-4,2%) inflaciona o ICT para 9,7%.

    📊 No acumulado de 2025: O ICT subiu 5,5%, com custos médios por trabalhador a crescerem 5,5% e horas trabalhadas a aumentarem marginalmente (+0,2%). Esta é uma leitura mais equilibrada: ao longo do ano, o aumento do ICT reflete essencialmente a subida dos custos, sem distorções significativas das horas.

    6. Setor Privado vs. Setor Público

    O INE distingue dois grandes agregados:

    AgregadoSecções CAEICT 4T 2025ICT Anual 2025ICT 2024
    Setor privado (maioritariamente)B a N+8,3%+5,6%+8,2%
    Setor público (maioritariamente)O a S+4,2%+5,3%+8,5%

    4.º trimestre, o setor privado registou um ICT quase o dobro do setor público (8,3% vs. 4,2%). No setor privado, os custos salariais subiram 8,4% e os outros custos 8,2%, com horas trabalhadas a caírem 2,9%. No setor público, o aumento foi mais contido (custos +4,8%, horas +0,7%).

    entanto, olhando para o acumulado anual, a diferença é muito menor: 5,6% vs. 5,3%. Isso sugere que o 4T foi atipicamente forte no setor privado, possivelmente influenciado por fatores sazonais (pagamento de subsídios de Natal, prémios de produtividade) e pela queda das horas no final do ano.

    7. Portugal vs. União Europeia

    A comparação europeia mais recente disponível refere-se ao 3.º trimestre de 2025 (dados do Eurostat). Portugal registou um ICT de +4,7% nesse trimestre — acima da média da UE-27 de 3,7%.

    PaísICT 3T 2025Posição
    Bulgária+12,3%Maior da UE
    Lituânia—2.º maior
    Croácia—3.º maior
    Hungria——
    Grécia——
    Polónia——
    Portugal+4,7%Acima da média UE
    Alemanha—Acima da média UE
    União Europeia (27)+3,7%Média
    Espanha—Abaixo da média
    França—Abaixo da média
    Itália—Abaixo da média
    Eslovénia+1,6%Menor crescimento positivo
    Malta-1,4%Único com queda

    Dezasseis países, incluindo Portugal, registaram variações superiores à média da UE. Portugal posicionou-se no grupo intermédio — com custos a subir mais rápido que os principais concorrentes do sul da Europa (Espanha, França, Itália), mas bem abaixo dos países do Leste europeu que continuam em convergência salarial acelerada.

    ⚠️ O perigo aqui é a competitividade:Portugal fica mais caro para produzir, mas a produtividade não sobe no mesmo ritmo, as nossas empresas começam a perder terreno para vizinhos como Espanha e Itália. É uma conta difícil de fechar. Como o Banco de Portugal já avisou, não basta pagar mais; é preciso que a economia entregue mais valor para compensar esses custos.

    8. Evolução Histórica: 2018 a 2025

    A evolução do ICT nos últimos anos reflete as grandes transformações da economia portuguesa:

    AnoICT (variação anual)Contexto
    2018~+2,5%Crescimento moderado pré-pandemia
    2019~+3,0%Economia em maturação
    2020~+5,5%Pandemia: custos sobem com queda de horas (layoff)
    2021~-1,0%Recuperação: horas aumentam, custos estabilizam
    2022~+6,0%Inflação elevada, pressão salarial
    2023~+7,5%Aumentos salariais generalizados, salário mínimo sobe
    2024+8,3%Maior aumento recente — convergência salarial + inflação
    2025+5,5%Desaceleração — normalização após anos de forte subida

    O padrão é claro: após um período de aumentos excecionais (2022-2024), motivados pela inflação elevada e pelos aumentos consecutivos do salário mínimo nacional (de 705€ em 2022 para 870€ em 2025), o ritmo de crescimento dos custos laborais está a normalizar. O ICT de +5,5% em 2025 representa uma desaceleração significativa face aos +8,3% de 2024.

    9. O Que Isso Significa na Prática

    Para Empresas

    • Custos laborais continuam a subir, embora a um ritmo mais moderado do que em 2023-2024
    • O setor dos Serviços é o mais pressionado (+9,7% no 4T), afetando hotelaria, restauração, comércio e serviços empresariais
    • A Construção enfrenta o maior aumento de custo por trabalhador (+6,4%), refletindo a escassez de mão de obra qualificada
    • A competitividade-custo de Portugal está a deteriorar-se face a Espanha, França e Itália

    Para Trabalhadores

    • Os custos salariais subiram 5,5% em 2025, indicando aumentos reais nos rendimentos do trabalho
    • O salário mínimo nacional subiu para 870€ em 2025 (era 820€ em 2024), impulsionando os custos na base da pirâmide salarial
    • A remuneração bruta média atingiu 1.694€ em dezembro de 2025

    Para Brasileiros em Portugal

    • O aumento dos custos laborais reflete um mercado de trabalho apertado — há mais procura do que oferta de trabalhadores, o que beneficia quem procura emprego
    • Os setores com maior crescimento de custos (Serviços e Construção) são precisamente aqueles que mais empregam imigrantes brasileiros
    • Para quem planeia trabalhar em Portugal, os dados confirmam que os salários estão efetivamente a subir — não apenas o mínimo, mas em toda a economia
    • está a considerar Portugal, conheça as opções de vistos para Portugal e de cidadania portuguesa

    Para Empreendedores

    • pretende abrir um negócio em Portugal, é fundamental considerar que os custos laborais crescem 5-7% ao ano
    • Os encargos patronais (Segurança Social: 23,75%) são uma componente significativa — e também estão a subir
    • O visto D2 para empreendedores é uma via de acesso ao mercado português e europeu

    💡 No fim das contas: Esse aumento nos custos é o típico cenário de faca de dois gumes. Se por um lado o trabalhador vê o salário crescer e ganha fôlego, do outro, o empresário precisa se desdobrar para manter o negócio lucrativo com margens cada vez mais apertadas. O grande desafio de Portugal agora é conseguir pagar salários dignos no nível europeu sem deixar as empresas pelo caminho.

    Sobre a autora

    Dra. Débora Friedrich Izquierdo

    Dra. Débora Friedrich Izquierdo

    Advogada, Sócia-fundadora do Studio Cidadania

    Inscrita na Ordem dos Advogados de Portugal e na OAB. Mais de 10 anos dedicados a processos de cidadania portuguesa, italiana e espanhola, com atuação direta em Lisboa e mais de 500 famílias representadas.

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