Censo Italiano 2024: o mapa demográfico das 20 regiões (dados ISTAT)
Em 30 de abril de 2026, o Istat — Istituto Nazionale di Statistica publicou os dados regionais do Censimento Permanente della Popolazione referentes a 31 de dezembro de 2024. O retrato é claro e tem implicações diretas para quem planeja a cidadania italiana, um visto de longa duração ou a mudança definitiva para a Itália: a população continua envelhecendo, a natalidade atingiu novo mínimo histórico e a presença estrangeira voltou a crescer em quase todas as regiões. Compreender este mapa demográfico é hoje parte essencial de qualquer projeto sério de relocação.
Neste guia, o Studio Cidadania traduz e organiza os principais resultados do estudo oficial, região por região, com leitura aplicada à realidade dos brasileiros e descendentes que estão avaliando para onde ir. Todas as informações citadas têm como fonte o comunicado territorial do Istat, disponível em istat.it. Não substituímos o estudo: contextualizamos, traduzimos e cruzamos com nossa experiência de mais de uma década assessorando processos de cidadania, vistos e estabelecimento na Europa.
Resumo executivo — Itália em 31/12/2024 (Istat, 2026)
- População residente em queda em 13 das 20 regiões, com pequenos aumentos em Lombardia, Emília-Romanha, Trentino, Bolzano e Ligúria.
- Novo recorde de baixa natalidade em quase todo o território nacional.
- População estrangeira em crescimento em todas as regiões, atingindo entre 3,5% (Sardenha) e 12,7% (Emília-Romanha) do total.
- Idade média subindo em todas as regiões, com pico de 49,6 anos na Ligúria e mínimo de 44,0 anos em Bolzano.
- Mulheres são maioria em todas as regiões, principalmente por maior longevidade feminina.
O que é o Censimento Permanente e por que ele importa
O Censimento Permanente é a metodologia que substituiu, a partir de 2018, o antigo censo decenal italiano. Em vez de uma única coleta a cada dez anos, o Istat passou a integrar registros administrativos com pesquisas amostrais anuais, gerando dados oficiais atualizados todo ano. O fascículo regional referente a 2024 é o documento que, na prática, define quantas pessoas moram em cada região, província e comune da Itália — número usado para repartição de fundos, planejamento de serviços e referências legais.
Para quem está fora da Itália e considera o país como destino, esses números têm leitura concreta. Comuni que perdem habitantes tendem a ser mais receptivos a novos residentes, oferecem imóveis mais acessíveis e, em muitos casos, programas de incentivo. Regiões com forte presença estrangeira costumam ter redes consolidadas de serviços, escolas internacionais e mercado de trabalho mais aberto. E o envelhecimento generalizado conversa diretamente com a discussão sobre vistos, reconhecimento de cidadania e o futuro do welfare italiano.
Quadro nacional: o que une as 20 regiões em 2024
A leitura conjunta dos vinte fascículos regionais do Istat revela cinco tendências que se repetem com poucas variações:
- Saldo natural fortemente negativo em quase toda a Itália. O número de óbitos supera o de nascimentos em todas as regiões, sem exceção.
- Migração internacional positiva em todas as regiões: a chegada de estrangeiros é o principal fator de sustentação demográfica do país.
- Migração interna assimétrica: o Sul e as Ilhas continuam perdendo residentes para o Norte e Centro, padrão que se mantém há décadas.
- Envelhecimento generalizado, com idade média avançando em todas as regiões em relação a 2023.
- População estrangeira como fator de rejuvenescimento: em todas as regiões, o Istat registra que a componente estrangeira contribui para conter o envelhecimento.
O peso relativo da população estrangeira em cada região é um indicador útil para quem planeja a mudança. Regiões com 10% ou mais de residentes estrangeiros têm normalmente mais infraestrutura para acolher recém-chegados — desde serviços consulares e escritórios de patronato até cursos de italiano e comunidades organizadas. Regiões com menos de 5%, comuns no Sul, oferecem outras vantagens: custo de vida menor, comunidades pequenas e processos administrativos frequentemente mais rápidos no comune.
A seguir, a leitura região por região, na ordem oficial do Istat, sempre referenciando o comunicado territorial e os fascículos regionais publicados em abril de 2026.
Piemonte
O Piemonte registra 4.251.868 residentes em 31 de dezembro de 2024, em substancial estabilidade frente a 2023 (+245 pessoas). Pouco mais da metade da população (51,8%) concentra-se na província de Turim, capital regional e maior cidade do Noroeste italiano depois de Milão.
Os 442.819 estrangeiros residentes (10,4% do total) vêm de 178 países, com forte predomínio romeno (28,6%), marroquino (11,5%) e albanês (8,7%). A diversidade torna o Piemonte uma das regiões mais habituadas a integrar trabalhadores estrangeiros, com uma rede consolidada de patronati, sportelli stranieri e escolas com ensino multilíngue.
A natalidade segue em queda — apenas 24.583 nascimentos em 2024, 494 menos do que no ano anterior — e a mortalidade caiu (-1.314 óbitos), o que mantém a população estável apesar do saldo natural negativo. A idade média subiu para 48,1 anos, com Cuneo como província mais jovem (46,9) e Biella como a mais envelhecida (50,4). Para descendentes de italianos com origem piemontesa, esse retrato confirma o que o trabalho de pesquisa genealógica costuma mostrar: muitos comuni do interior estão se esvaziando, tornando o atendimento ao requerente de cidadania mais ágil quando comparado às grandes capitais.
Valle d'Aosta
A menor região italiana em população conta com 122.532 residentes, em ligeiro recuo (-345 pessoas; -0,3%). Mais de um quarto da população (27,0%) vive na cidade de Aosta, único centro urbano de porte considerável.
Os 8.821 estrangeiros representam 7,2% da população regional e vêm sobretudo da Romênia (24,8%), Marrocos (17,3%) e Albânia (8,1%). A Valle d'Aosta é oficialmente bilíngue (italiano e francês), o que pode facilitar a integração de quem já domina uma das duas línguas.
A taxa de natalidade caiu para 639 nascimentos (-79), enquanto a mortalidade subiu para 11,6 por mil. As mulheres são 50,9% dos residentes, e a idade média avançou para 47,7 anos. Comuni de altitude como Gressoney-La-Trinité (42,5 anos) e Ayas (44,9) destacam-se como exceções jovens em uma região predominantemente envelhecida — fenômeno frequentemente associado à atração turística que sustenta o emprego sazonal de trabalhadores mais jovens, muitos deles estrangeiros.
Lombardia
A Lombardia mantém-se como a região mais populosa da Itália e a única do Norte com crescimento expressivo: 10.033.918 residentes, +21.864 frente a 2023 (+0,2%). A metade da população está concentrada nas províncias de Milão, Brescia e Bérgamo (56,1%), eixo industrial e financeiro do país.
São 1.221.520 estrangeiros — o maior contingente absoluto da Itália —, equivalentes a 12,2% da população regional. As origens mais frequentes são Romênia (13,8%), Egito (9,0%) e Marrocos (7,1%), em uma comunidade vinda de 188 países diferentes. Para quem planeja trabalhar ou empreender na Itália, a Lombardia segue como destino natural: oferece o maior mercado de trabalho qualificado, a maior densidade de empresas multinacionais e o sistema bancário mais articulado.
A natalidade caiu para 64.711 nascimentos (-948), enquanto a mortalidade recuou (-1.217 óbitos). A idade média subiu para 46,4 anos, com Brescia, Bérgamo e Lodi como as províncias mais jovens (45,7 a 45,9). O crescimento populacional, sustentado pela migração internacional, mostra que a Lombardia continua sendo o motor demográfico da Itália — informação relevante para quem avalia onde pedir visto para nômades digitais ou estabelecer residência fiscal.
Trentino
A Província Autônoma de Trento registrou 545.573 residentes, com aumento de 1.404 pessoas (+0,3%). Mais de 20% da população está concentrada na cidade de Trento, capital provincial.
Os 47.854 estrangeiros equivalem a 8,8% da população, vindos de 145 países — Romênia (21,5%), Albânia (11,0%) e Marrocos (7,6%) lideram. O Trentino se mantém como uma das áreas mais bem geridas do país: alto índice de desenvolvimento humano, sistema sanitário próprio reconhecido como excelente e estatuto de autonomia que se reflete em serviços públicos de qualidade.
Foram 3.748 nascimentos em 2024 (-41), enquanto a mortalidade subiu marginalmente (taxa de 9,6 por mil — uma das mais baixas do país). A idade média ficou em 46,0 anos. Comuni como Vignola-Falesina (40,1) e Calliano (41,9) figuram entre os mais jovens da Itália. Para quem busca um equilíbrio entre alta qualidade de vida, natureza e estabilidade administrativa, o Trentino é um destino estratégico — ainda que mais caro que regiões do Sul.
Bolzano / Alto Adige
A Província Autônoma de Bolzano (Alto Adige / Südtirol) chegou a 539.679 residentes, com aumento de 2.146 pessoas (+0,4%) — uma das maiores variações positivas do país. Quase um quinto vive na capital Bolzano/Bozen.
Com 57.884 estrangeiros (10,7% da população), Bolzano se distingue pelo perfil germanófono dos imigrantes: além de Albânia (12,3%) e Paquistão (7,3%), a Alemanha figura como segundo país de origem (8,3%). Bolzano é oficialmente trilíngue (italiano, alemão e ladino), e empresas locais frequentemente exigem alemão como segunda língua de trabalho.
A região registra a menor idade média da Itália — 44,0 anos — e a menor taxa de mortalidade (8,5 por mil). Comuni como Velturno/Feldthurns (39,7) e Ponte Gardena/Waidbruck (40,3) aparecem entre os mais jovens do país inteiro. O Alto Adige combina padrão de vida centro-europeu, salários mais altos do que a média italiana e administração eficiente, sendo um dos polos mais procurados por profissionais qualificados que avaliam a Itália como base europeia.
Veneto
O Vêneto contabiliza 4.853.472 residentes, em estabilidade frente a 2023. As províncias de Pádua e Verona concentram quase 38,3% da população, em uma região policêntrica que inclui ainda Veneza, Vicenza, Treviso, Belluno e Rovigo.
Os estrangeiros somam 506.466 pessoas (10,4% do total), vindos de 176 países, com forte predomínio romeno (24,7%), marroquino (9,0%) e chinês (7,3%). A presença chinesa é particularmente articulada no Vêneto, com importante comunidade empresarial em Pádua e Vicenza.
Foram 29.969 nascimentos (-469) e queda na mortalidade (-597 óbitos), o que mantém o saldo populacional praticamente neutro. A idade média subiu para 47,1 anos. Verona, Vicenza e Treviso são as províncias mais jovens; Rovigo e Belluno, as mais envelhecidas. O Vêneto é também uma das regiões com maior número de descendentes de italianos no Brasil — a emigração maciça do final do século XIX e início do XX teve epicentro aqui, fato que se reflete diretamente no volume de processos de reconhecimento de cidadania italiana por descendência em curso nos comuni vênetos.
Friuli-Venezia Giulia
O Friul-Veneza Júlia registra 1.193.284 residentes, leve recuo (-1.332; -0,1%). Quase 70% da população vive nas províncias de Udine e Pordenone, sendo Trieste o quarto polo regional, voltado para o porto e para a fronteira esloveno-eslava.
Os 121.887 estrangeiros (10,2% do total) vêm de 154 países, com Romênia (20,5%), Albânia (7,7%) e Bangladesh (6,9%) liderando. A região é uma porta de entrada histórica para imigrantes do Leste europeu e dos Bálcãs, com forte presença eslovena, croata e sérvia também entre os residentes não estrangeiros.
A natalidade ficou em 6.895 nascimentos (-87), enquanto a mortalidade subiu para 12,3 por mil — uma das mais elevadas do país, puxada por Trieste. A idade média avançou para 48,7 anos. Pordenone destaca-se como a província mais jovem (47,3). O Friul é uma região estratégica para descendentes de italianos cuja família emigrou no pós-guerra, e mantém uma identidade cultural específica, com a língua friulana ainda viva em diversos comuni.
Liguria
A Ligúria conta com 1.510.143 residentes, em ligeira alta (+1.003; +0,1%) — recuperação modesta após anos de declínio. Mais da metade da população vive na província de Gênova (54,2%), capital regional e maior porto italiano.
Os 163.189 estrangeiros representam 10,8% do total, com origens diversificadas: Albânia (13,1%), Romênia (12,1%) e Marrocos (9,5%). A Ligúria foi historicamente porto de partida da emigração italiana para a América do Sul, e mantém estreitas conexões com comunidades ítalo-brasileiras e ítalo-argentinas.
Apesar do quadro nacional de queda na natalidade, a Ligúria registrou leve aumento: 8.380 nascimentos (+37 em relação a 2023), graças a 142 nascimentos estrangeiros a mais. A mortalidade caiu (-532 óbitos) mas continua a mais alta entre as regiões italianas (14,0 por mil), reflexo do envelhecimento severo. A idade média atingiu 49,6 anos — a mais alta da Itália. As mulheres são 51,6% dos residentes, também o maior percentual nacional. Para quem busca litoral, clima ameno e proximidade da França, a Ligúria oferece imóveis a preços historicamente mais acessíveis nas áreas interiores e nos comuni do interior das províncias de La Spezia e Imperia.
Emilia-Romagna
A Emília-Romanha cresceu para 4.461.998 residentes (+10.060; +0,2%), com quase 40% da população nas províncias de Bolonha e Modena. É uma das regiões com melhores indicadores socioeconômicos da Itália: alta renda, baixa desigualdade, sistema sanitário de referência e forte tradição cooperativista.
Os 564.745 estrangeiros equivalem a 12,7% da população — o maior percentual de toda a Itália. Vêm de 177 países, com Romênia (16,7%), Albânia (9,8%) e Marrocos (9,8%) liderando. A região concentra forte demanda de mão de obra qualificada (mecânica, automotivo, agroalimentar) e oferece políticas locais articuladas de acolhimento.
Foram 28.043 nascimentos (-525) e queda na mortalidade (-627 óbitos), o que sustenta o crescimento populacional. A idade média subiu para 47,1 anos. Reggio nell'Emilia é a província mais jovem (45,8); Ferrara, a mais envelhecida (49,8). Para profissionais que buscam emprego qualificado e qualidade de vida sem o custo de Milão, a Emília-Romanha é uma das melhores apostas — fator relevante na escolha de onde fixar residência após o reconhecimento da cidadania italiana.
Toscana
A Toscana registra 3.657.716 residentes, recuo modesto (-2.814; -0,1%). Cerca de metade da população (48,9%) vive nas províncias de Florença, Pisa e Lucca.
São 433.381 estrangeiros (11,8%) vindos de 173 países, com perfil singular: China lidera (16,0%), à frente de Romênia (15,9%) e Albânia (12,8%). A comunidade chinesa é particularmente concentrada em Prato, com forte presença no setor têxtil e de confecção.
Foram 20.748 nascimentos (-127), enquanto a mortalidade subiu marginalmente (185 óbitos a mais). A idade média avançou para 48,2 anos. Prato (46,4) e Pisa (47,5) figuram entre as províncias mais jovens, enquanto Grosseto e Massa-Carrara ficam empatadas em 49,8 anos. A Toscana é destino preferencial de quem busca pequenas cidades históricas, vinhos, paisagem e qualidade de vida — particularmente em comuni das províncias de Siena, Arezzo e Lucca, onde imóveis em vilarejos oferecem melhor relação custo-benefício do que Florença ou Pisa.
Umbria
A Umbria, única região do Centro sem saída para o mar, soma 851.473 residentes (-1.595; -0,2%). Cerca de três quartos da população (74,7%) está na província de Perugia, deixando Terni como segundo polo regional.
Os 89.685 estrangeiros (10,5% do total) vêm de 163 países, com forte predomínio romeno (24,2%), albanês (11,2%) e marroquino (9,6%). É uma região com acolhida tradicionalmente boa a estrangeiros, especialmente em áreas interiores onde a desertificação demográfica torna a chegada de novos moradores uma necessidade.
Foram 4.736 nascimentos (-30) e queda na mortalidade (-213 óbitos). A idade média subiu para 48,4 anos. Perugia é a província mais jovem (48,0). Para quem deseja o interior italiano clássico, com cidades como Assis, Spoleto, Orvieto e Gubbio, a Umbria é uma alternativa frequentemente mais econômica do que a vizinha Toscana, com qualidade paisagística e patrimonial equivalente.
Marche
As Marcas registram 1.480.545 residentes (-2.201; -0,1%), com Ancona concentrando 31,2% da população. A região se estende ao longo da costa adriática central, do Apenino ao mar.
São 135.023 estrangeiros (9,1% do total), com origens diversificadas: Romênia (16,9%), Albânia (10,8%) e Marrocos (6,6%). A região tem economia baseada em pequenas e médias empresas — o famoso quarto capitalismo italiano — com forte presença nos setores de couro, calçados, móveis e mecânica de precisão.
Foram 8.252 nascimentos (-545, queda relevante) e leve recuo na mortalidade (-197 óbitos). A idade média subiu para 47,9 anos, com Pesaro e Urbino como província mais jovem. Para descendentes cuja família veio das Marcas — fluxo migratório forte para o Brasil entre 1880 e 1920 —, a região mantém comuni receptivos, com muitos arquivos paroquiais e civis em bom estado de conservação.
Lazio
O Lácio, região de Roma, conta com 5.709.178 residentes, em ligeiro recuo (-5.567; -0,1%). Quase três quartos da população vivem na província de Roma, capital nacional e maior cidade do país.
Os 651.033 estrangeiros equivalem a 11,4% da população, com origens dominadas pela Romênia (29,3%), Bangladesh (7,1%), Filipinas (6,3%) e Índia (5,1%). É a região italiana com maior presença de comunidades extracomunitárias asiáticas estabelecidas há décadas.
Foram 33.699 nascimentos (-593), enquanto a mortalidade caiu de forma expressiva (-3.141 óbitos), levando a taxa de 11,2 para 10,7 por mil. A idade média subiu para 46,7 anos. Latina (46,1) e Roma (46,6) são as províncias mais jovens; Rieti, a mais envelhecida (48,7). Roma concentra metade dos consulados do mundo, a maioria das embaixadas e os principais escritórios federais — sendo praticamente obrigatória para alguns processos administrativos e ponto de referência para quem trabalha com instituições internacionais. Para descendentes que pretendem viver na capital, o quadro recente sugere que a procura por imóveis para aluguel continua intensa, com efeitos sobre os preços nos bairros mais centrais.
Abruzzo
O Abruzzo registra 1.269.118 residentes, substancialmente estável (-453 pessoas). A população é distribuída de forma equilibrada entre as quatro províncias, com leve preponderância de Chieti (29,2%).
Os 90.573 estrangeiros representam 7,1% do total, vindos de 158 países, com Romênia (23,5%), Albânia (12,3%) e Marrocos (9,2%) à frente. A região acolhe trabalhadores do Leste europeu sobretudo nos setores agrícola e pecuário, com destaque para o azeite e o vinho Montepulciano d'Abruzzo.
Foram 7.356 nascimentos (-222) e forte queda na mortalidade (-959 óbitos). A idade média subiu para 47,7 anos. Pescara e Teramo aparecem como as províncias mais jovens (47,3). O Abruzzo é uma das regiões mais procuradas por estrangeiros em busca de qualidade de vida e custo acessível: vilarejos medievais bem conservados, parques nacionais (Gran Sasso, Maiella) e litoral adriático fazem dele uma alternativa subvalorizada.
Molise
O Molise é a segunda menor região da Itália em população, com 290.814 residentes, em queda de -1.410 pessoas (-0,5%). Cerca de três quartos da população vivem na província de Campobasso (72,6%).
Os 14.431 estrangeiros representam 5,0% do total, vindos de 133 países, com Romênia (19,5%), Marrocos (9,6%) e Nigéria (5,2%) liderando. Apesar do contingente modesto, a presença estrangeira tem crescido em termos relativos.
Foram 1.561 nascimentos (-100) e leve queda na mortalidade. A idade média subiu para 48,4 anos. Campobasso (48,3) é a província mais jovem, Isernia a mais envelhecida (48,7). O Molise é o coração simbólico das políticas italianas de repovoamento: muitos comuni participam de programas como o Bonus Sud e iniciativas regionais para atrair novos moradores, oferecendo imóveis simbólicos e contribuições para reformas. Para quem busca a Itália profunda, com baixo custo de vida e simplicidade administrativa, é uma região a considerar com atenção.
Campania
A Campânia, com 5.582.337 residentes, é a terceira região mais populosa da Itália, em queda de -11.569 pessoas (-0,2%). Mais da metade da população vive na província de Nápoles (53,1%), umas das mais densas da Europa.
Os 276.531 estrangeiros equivalem a 5,0% do total, com perfil único: Ucrânia lidera (16,2%), à frente de Romênia (11,7%) e Marrocos (9,5%). A presença ucraniana cresceu fortemente após 2022, com mulheres trabalhando majoritariamente em assistência domiciliar.
Foram 41.348 nascimentos (-1.577) — ainda assim um dos maiores volumes do país — e queda na mortalidade (-2.118 óbitos). A idade média avançou para 44,5 anos, mantendo a Campânia entre as regiões mais jovens da Itália. Caserta (43,6) e Nápoles (43,7) são as províncias mais jovens. Para descendentes de italianos cujas famílias vieram do Sul — fluxo migratório dominante para o Brasil entre 1890 e 1920 —, a Campânia é uma das regiões mais relevantes, com forte tradição em arquivos paroquiais e civis bem organizados em comuni como Avellino, Salerno e Benevento.
Puglia
A Apúlia (Puglia) registra 3.877.395 residentes, em queda de -13.266 pessoas (-0,3%). Pouco mais da metade da população vive nas províncias de Bari e Lecce (51,2%).
Os 155.066 estrangeiros representam 4,0% da população — um dos menores percentuais da Itália. Vêm de 169 países, com forte presença romena (18,8%), albanesa (12,7%) e marroquina (8,0%). A região é também porta de entrada de fluxos migratórios via mar, com importante atividade humanitária no porto de Bari.
Foram 24.289 nascimentos (-1.302), uma das maiores quedas absolutas, e recuo na mortalidade (-1.450 óbitos). A idade média subiu para 46,7 anos. Barletta-Andria-Trani (45,2) e Foggia (45,8) são as províncias mais jovens. A Apúlia é destino crescente para quem busca litoral mediterrâneo a custos ainda razoáveis, com Lecce, Ostuni e o Salento atraindo cada vez mais residentes estrangeiros que adquirem trulli e palazzi reformados.
Basilicata
A Basilicata é uma das regiões menos populosas da Itália, com 530.004 residentes, em queda significativa de -3.229 pessoas (-0,6%) — uma das maiores variações relativas negativas. Cerca de dois terços da população vivem na província de Potenza (64,3%).
Os 27.060 estrangeiros representam 5,1% do total, com Romênia (25,2%), Albânia (10,6%) e Marrocos (7,3%) liderando entre 136 nacionalidades.
Foram 3.059 nascimentos (-64), com aumento dos nascimentos estrangeiros — único contraponto à tendência regional. A mortalidade caiu de forma expressiva (-446 óbitos). A idade média subiu para 47,6 anos, com Matera como província mais jovem (47,0). A Basilicata abriga Matera, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, e mantém uma rede de comuni interiores com forte declínio populacional, alguns dos quais oferecem incentivos diretos para novos residentes. É território privilegiado para quem busca preços acessíveis e contato direto com o Sul rural italiano.
Calabria
A Calábria conta com 1.834.646 residentes, em queda de -3.922 pessoas (-0,2%). Mais de 60% da população vive nas províncias de Cosenza e Reggio Calabria (64,5%).
Os 105.439 estrangeiros equivalem a 5,7% do total, com forte presença de Romênia (24,3%), Marrocos (14,4%) e Ucrânia (7,0%). A região acolhe ainda comunidades historicamente estabelecidas — albanesas (arbëreshë) e gregas (grika) — que falam variantes locais dessas línguas há séculos.
Foram 12.679 nascimentos (-603) e forte queda na mortalidade (-1.157 óbitos). A idade média subiu para 46,2 anos. Crotone (44,8) é a província mais jovem, com Catanzaro e Cosenza empatadas em 46,7. A Calábria tem participado ativamente de programas de repovoamento, com vários comuni oferecendo casas a 1 euro ou contribuições para mudança. Para quem busca litoral mediterrâneo, baixo custo e clima ameno, é uma das regiões mais subvalorizadas do Sul.
Sicilia
A Sicília, maior ilha do Mediterrâneo, soma 4.787.390 residentes, em queda de -9.969 pessoas (-0,2%). Cerca de metade da população (47,4%) vive nas províncias de Palermo e Catânia, polos urbanos da ilha.
Os 206.753 estrangeiros representam 4,3% do total, vindos de 165 países, com perfil mediterrâneo distintivo: Romênia (21,5%), Tunísia (13,6%) — segundo país de origem, característica única no contexto italiano — e Marrocos (7,3%). Há também forte presença bengalesa em Palermo e do Sri Lanka em Catânia.
Foram 33.660 nascimentos (-1.829), mantendo a Sicília entre as regiões com mais nascimentos absolutos, e queda expressiva na mortalidade (-4.036 óbitos). A idade média subiu para 45,7 anos. Ragusa (44,5) e Catânia (44,8) figuram entre as províncias mais jovens. A Sicília é a região com maior número de descendentes italianos no Brasil, particularmente em São Paulo, e mantém tradição administrativa relativamente eficiente para processos de cidadania em comuni do interior.
Sardegna
A Sardenha registra 1.562.381 residentes, em queda relevante de -8.072 pessoas (-0,5%). Mais da metade da população vive nas províncias de Sassari e Cagliari (56,9%).
Os 54.091 estrangeiros representam apenas 3,5% da população — o menor percentual da Itália. Vêm de 156 países, com Romênia (20,2%), Senegal (7,8%) e Marrocos (6,9%) à frente.
Foram 7.052 nascimentos (-190), com leve aumento dos nascimentos estrangeiros, e queda modesta na mortalidade (-247 óbitos). A idade média subiu para 49,2 anos — uma das mais altas do país. Sassari (48,5) e Cagliari (48,8) são as províncias mais jovens; Oristano (50,6) e Sud Sardegna (50,3), as mais envelhecidas. A Sardenha enfrenta forte desertificação demográfica em comuni interiores, fato que motivou o programa nacionalmente conhecido de casas a 1 euro em Ollolai e em outras localidades. Para quem busca uma ilha mediterrânea com administração relativamente simples e baixíssima densidade populacional, é uma das opções mais singulares da Europa.
Comparativo Norte, Centro e Sul: três Itálias demográficas
A leitura horizontal dos vinte fascículos regionais reforça uma realidade que estudiosos italianos costumam descrever como tre Italie demografiche. O Norte — Lombardia, Emília-Romanha, Vêneto, Piemonte, Trentino, Bolzano, Friul e Ligúria — apresenta crescimento populacional ou estabilidade, sustentado pela imigração internacional, com mercado de trabalho dinâmico, salários médios mais altos e infraestrutura sanitária e educacional de melhor avaliação. A presença estrangeira ali oscila entre 8% e 13%, indicador claro de que esses territórios funcionam como ímãs migratórios.
O Centro — Toscana, Umbria, Marcas e Lácio — mostra perfil intermediário: leve recuo populacional, presença estrangeira entre 9% e 12%, idade média na faixa dos 47 a 49 anos. É a Itália do equilíbrio: paisagem patrimonial reconhecida internacionalmente, custo de vida moderado fora dos grandes centros, e dinâmica econômica menos vibrante que o Norte mas significativamente mais ativa que o Sul. Para profissionais qualificados que buscam qualidade de vida sem o preço de Milão, o Centro é frequentemente o ponto ideal.
O Sul e Ilhas — Abruzzo, Molise, Campânia, Apúlia, Basilicata, Calábria, Sicília e Sardenha — concentra os maiores recuos populacionais relativos, presença estrangeira entre 3,5% e 7%, e movimentos migratórios internos historicamente negativos: o Sul continua perdendo jovens para o Norte e para o exterior. Esse cenário, no entanto, abre janelas reais para quem chega de fora: imóveis acessíveis, comuni receptivos, programas de incentivo à fixação de novos moradores e, em vários casos, processos administrativos mais ágeis pela própria escala reduzida das estruturas públicas locais.
Para o brasileiro descendente de italianos, este mapa tridimensional tem peso especial. A maior parte da emigração italiana para o Brasil partiu justamente do Vêneto, da Campânia, da Sicília, da Calábria e da Basilicata — regiões que hoje vivem realidades demográficas opostas. Reconhecer a cidadania no comune de origem nem sempre coincide com fixar residência ali: muitos requerentes optam por estabelecer moradia em uma região mais dinâmica do Norte ou Centro, mantendo o vínculo afetivo com o comune da família.
A componente estrangeira como motor demográfico
Um dos achados mais consistentes do levantamento Istat é que, em todas as vinte regiões, a população estrangeira atua como fator de rejuvenescimento e contém parcialmente o declínio demográfico. Sem a contribuição da imigração internacional, o saldo populacional italiano seria significativamente mais negativo. Esse dado tem leitura institucional: a Itália depende, hoje, da imigração regular para sustentar o sistema previdenciário, o mercado de trabalho e a base contributiva do Estado.
Para descendentes que reconhecem a cidadania italiana e fixam residência no país, esse contexto traduz-se em receptividade institucional. Muitas regiões — particularmente aquelas com declínio mais acentuado — desenvolveram nos últimos anos políticas explícitas de atração de novos residentes, com isenções fiscais setoriais, incentivos para mães com filhos, regimes especiais para aposentados estrangeiros (o famoso regime fiscal de 7% para aposentados que se instalam em comuni do Sul com até 20 mil habitantes) e contribuições para reformas de imóveis em áreas de despovoamento.
A combinação de cidadania italiana reconhecida com escolha estratégica de comune de residência é, hoje, uma das estruturas mais eficientes de planejamento patrimonial e de vida para famílias brasileiras com origem italiana. A análise demográfica e fiscal, conjugada à pesquisa genealógica e à análise jurídica do processo de cidadania, permite construir projetos sólidos — e não improvisados — de estabelecimento na Itália e, por extensão, em todo o espaço Schengen.
Leitura aplicada: o que estes números significam para quem planeja a Itália
Cruzando os vinte fascículos regionais, surgem orientações práticas relevantes para quem está construindo um projeto sério de relocação ou de reconhecimento da cidadania italiana.
Para quem busca emprego qualificado e mercado dinâmico, Lombardia, Emília-Romanha, Vêneto e Trentino concentram a maior parte das vagas em setores tecnológicos, industriais e de serviços avançados. Estas regiões registram crescimento populacional sustentado pela imigração internacional, indicador indireto de oportunidades reais. A renda média é mais alta, mas o custo de vida acompanha — sobretudo nas áreas metropolitanas de Milão, Bolonha e Verona.
Para quem busca qualidade de vida com custo moderado, Marcas, Umbria, Abruzzo e Friul-Veneza Júlia oferecem combinação interessante de paisagem, patrimônio histórico e preços de imóveis significativamente menores que os do Norte central. São regiões com infraestrutura sanitária boa, escolas públicas funcionais e comunidades estrangeiras já estabelecidas que facilitam a integração inicial.
Para quem prioriza custo baixo e vida em pequenos comuni, Basilicata, Calábria, Molise, Sardenha interior e Sul da Apúlia são os destinos mais óbvios. Vários comuni nessas regiões mantêm programas ativos de incentivo à fixação de novos residentes — desde casas simbólicas a um euro até contribuições para reformas e isenções fiscais locais. O contraponto é a menor oferta de empregos e a necessidade de planejar com antecedência a fonte de renda (aposentadoria, trabalho remoto, atividade autônoma).
Para descendentes de italianos em fase de reconhecimento da cidadania, o quadro demográfico tem implicação direta sobre o tempo dos processos. Comuni com população inferior a 5.000 habitantes — categoria em que se enquadra a maioria dos comuni de origem dos imigrantes para o Brasil — costumam ter estruturas administrativas reduzidas. Em vários casos isso significa atendimento mais ágil e contato direto com o ufficiale di stato civile; em outros, prazos mais longos por escassez de pessoal. A escolha estratégica entre processo administrativo no comune, processo judicial em Roma ou outras vias deve sempre considerar essas particularidades, idealmente com acompanhamento de assessoria especializada.
Cidadania italiana e o cenário demográfico
O retrato traçado pelo Istat reforça uma questão de fundo: a Itália precisa, hoje, ativamente recompor sua base populacional. Esse cenário convive com a discussão recente sobre limites geracionais ao reconhecimento da cidadania italiana iure sanguinis — debate em que o Studio Cidadania tem se posicionado de forma técnica e propositiva. Para descendentes que ainda não iniciaram o processo, o momento é particularmente sensível: cada mês de adiamento aumenta o risco de mudança normativa.
O nosso método, com 100% de aprovação nos processos conduzidos, parte sempre da análise documental detalhada da linhagem, complementada por pesquisa em arquivos italianos quando necessário. A escolha da via processual (administrativa, judicial em Roma, judicial regional ou via casamento) considera o quadro normativo atualizado e o perfil específico de cada família. Para uma análise inicial gratuita, a consulta via WhatsApp com nossa equipe é o caminho mais ágil.
Vistos para a Itália em 2026
Para quem não tem direito ao reconhecimento da cidadania, a Itália oferece atualmente um conjunto de vistos longe de trivial mas razoavelmente acessível para perfis qualificados. Entre os mais procurados:
- Visto para trabalhadores autônomos e profissionais altamente qualificados, vinculado às cotas anuais do decreto flussi;
- Visto para nômades digitais, regulamentado em 2024 e particularmente atraente para profissionais com renda comprovada em moeda estrangeira;
- Visto de residência eletiva, voltado a quem comprova renda passiva suficiente e não exerce atividade laboral na Itália;
- Visto para investidor, conhecido como Investor Visa for Italy;
- Vistos de estudo e de pesquisa, com regras facilitadas para titulares de bolsas reconhecidas.
Cada perfil, cada região e cada projeto exige uma análise específica. Os dados demográficos do Istat — população, presença estrangeira, idade média, dinamismo econômico das províncias — devem ser parte da decisão sobre onde estabelecer residência, não apenas sobre como obter o visto.
Metodologia e fontes
Todos os dados citados neste guia foram extraídos do comunicado territorial Censimento della popolazione: dati regionali — Anno 2024, publicado pelo Istituto Nazionale di Statistica (Istat) em 30 de abril de 2026, e dos respectivos fascículos regionais (Notas para a Imprensa e Anexos Estatísticos) disponibilizados pelo mesmo órgão. Os números refletem a população residente em 31 de dezembro de 2024 e foram apurados com base no Censimento Permanente, metodologia que combina registros administrativos com pesquisas amostrais anuais.
Para consulta direta da fonte original, com tabelas detalhadas por província e comune, recomendamos o acesso ao comunicado oficial do Istat e à dashboard interativa do Censimento Permanente.
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você está considerando o reconhecimento da cidadania italiana, um visto de longa duração ou a mudança definitiva para a Itália, o Studio Cidadania oferece análise inicial gratuita e personalizada. Nossa equipe combina experiência jurídica, pesquisa genealógica e conhecimento direto da realidade administrativa italiana.
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Sobre a autora

Dra. Débora Friedrich Izquierdo
Advogada, Sócia-fundadora do Studio Cidadania
Inscrita na Ordem dos Advogados de Portugal e na OAB. Mais de 10 anos dedicados a processos de cidadania portuguesa, italiana e espanhola, com atuação direta em Lisboa e mais de 500 famílias representadas.
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