Causas de Morte em Portugal 2024: Análise INE e Impacto

Mortalidade em Portugal 2024: O Que Revelam os Dados Oficiais do INE
Recentemente, o INE soltou os números oficiais sobre a mortalidade em Portugal em 2024 e o cenário é revelador. Ao todo, 119.046 pessoas faleceram no país — um número estável em relação ao ano anterior, mas que ainda acende um alerta: estamos 6% acima do que registávamos antes da pandemia (2019). Mas o que esses números dizem sobre a nossa saúde no dia a dia?
Dois grandes grupos de doenças continuam a dominar o panorama da mortalidade: as doenças do aparelho circulatório (30.055 óbitos, 25,4%) e os tumores malignos (28.280 óbitos, 23,9%), que juntos representaram 49,3% de toda a mortalidaderesidentes em 2024. O dado mais alarmante do relatório é o aumento de 7,0% nas mortes por doenças respiratórias, que atingiram 14.022 óbitos.
você está a planear a sua mudança para cá, vale a pena olhar para estes dados com atenção. Eles mostram os desafios reais do nosso sistema de saúde, mas também confirmam algo positivo: a esperança média de vida em Portugal é de 82,5 anos. Sim, vivemos mais do que a média dos países da OCDE, o que diz muito sobre a qualidade de vida por aqui.
Panorama Geral da Mortalidade em 2024
Do total de 119.046 mortes ocorridas em Portugal em 2024, 118.396 (99,5%) corresponderam a residentes no país e 650 (0,5%) a residentes no estrangeiro. A análise que se segue foca-se nos óbitos de residentes.
| Causa de Morte | Óbitos 2024 | Óbitos 2023 | Variação | % do Total |
|---|---|---|---|---|
| Doenças do aparelho circulatório | 30.055 | 30.059 | 0,0% | 25,4% |
| — Doenças cerebrovasculares (AVC) | 9.007 | 9.177 | -1,9% | 7,6% |
| — Doenças isquémicas do coração | 6.470 | 6.414 | +0,9% | 5,5% |
| — Enfarte agudo do miocárdio | 3.721 | 3.664 | +1,6% | 3,1% |
| Tumores malignos | 28.280 | 28.166 | +0,4% | 23,9% |
| — Traqueia, brônquios e pulmão | 4.488 | 4.490 | 0,0% | 3,8% |
| — Cólon, reto e ânus | 3.564 | 3.639 | -2,1% | 3,0% |
| Doenças do aparelho respiratório | 14.022 | 13.110 | +7,0% | 11,8% |
| — Pneumonia | 5.283 | 5.042 | +4,8% | 4,5% |
Doenças Cardiovasculares: A Principal Causa de Morte
As doenças do aparelho circulatório mantiveram-se como a principal causa de morte em Portugal em 2024, com 30.055 óbitos — um número praticamente idêntico ao de 2023 (30.059). A taxa de mortalidade fixou-se em 281,0 por 100 mil habitantes, ligeiramente inferior à de 2023 (284,1).
Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)
Os AVC continuaram a ser a causa específica com maior número de óbitos em Portugal: 9.007 mortes, representando 7,6% do total. Apesar da gravidade, verificou-se uma redução de 1,9% face a 2023, e a taxa de mortalidade baixou de 86,7 para 84,2 por 100 mil habitantes.
Características demográficas dos óbitos por AVC:
- 93,0% dos falecidos tinham 65 ou mais anos
- 81,8% tinham 75 ou mais anos
- 10,9% (982 pessoas) morreram com menos de 70 anos
- Afetam mais mulheres: relação de 78,7 óbitos masculinos por cada 100 femininos
- 9.710 anos potenciais de vida perdidos (acima dos 9.420 de 2023)
Doenças Isquémicas do Coração
As doenças isquémicas do coração causaram 6.470 óbitos em 2024, um aumento de 0,9% face ao ano anterior. A taxa bruta de mortalidade manteve-se relativamente estável em 60,5 por 100 mil habitantes (60,6 em 2023).
Ao contrário dos AVC, as doenças isquémicas atingem desproporcionalmente os homens, com uma relação de 157,9 óbitos masculinos por cada 100 femininos — um agravamento face a 2023 (146,9). Do total, 28,0% (1.811 pessoas) morreram com menos de 70 anos, perdendo-se 19.628 anos potenciais de vida.
Enfarte Agudo do Miocárdio
Os enfartes causaram 3.721 mortes em 2024, um aumento de 1,6%. A predominância masculina é ainda mais acentuada nesta causa: 172,8 homens por cada 100 mulheres. Os dados são preocupantes no que toca à mortalidade prematura: 32,1% dos falecidos tinham menos de 70 anos, perdendo-se 13.175 anos potenciais de vida (acima dos 12.593 de 2023).
Tumores Malignos: Segunda Causa de Morte
Os tumores malignos causaram 28.280 óbitos em 2024, um aumento de 0,4% face a 2023. A taxa de mortalidade foi de 264,5 por 100 mil habitantes, com uma disparidade significativa entre sexos: 324,4 nos homens e 209,6 nas mulheres.
Em 2024, contabilizaram-se 100.547 anos potenciais de vida perdidos por tumores malignos, ligeiramente abaixo dos 102.901 de 2023 — uma melhoria marginal que pode indicar diagnósticos mais precoces ou tratamentos mais eficazes.
Cancro do Pulmão: O Tumor Mais Letal
Os tumores malignos da traqueia, brônquios e pulmão foram responsáveis por 4.488 mortes (3,8% do total), mantendo-se como o tipo de cancro mais mortal em Portugal. A disparidade de género é extrema: 264,9 óbitos de homens por cada 100 de mulheres, com taxas de mortalidade de 63,7 por 100 mil homens contra 22,0 por 100 mil mulheres.
Cancro Colorretal
Os tumores do cólon, reto e ânus causaram 3.564 óbitos, uma redução de 2,1% face a 2023. A taxa de mortalidade foi de 33,3 por 100 mil residentes, com predominância masculina (136,0 homens por cada 100 mulheres). A redução neste tipo de cancro pode estar associada à expansão dos programas de rastreio do cancro colorretal no Serviço Nacional de Saúde.
Doenças Respiratórias: O Aumento Mais Preocupante
O dado mais alarmante do relatório do INE é o aumento de 7,0% nas mortes por doenças do aparelho respiratório, que passaram de 13.110 em 2023 para 14.022 em 2024. A taxa de mortalidade subiu de 123,9 para 131,1 por 100 mil habitantes.
É importante salientar que, seguindo as normas da Organização Mundial da Saúde (OMS), os óbitos por COVID-19 não estão incluídos neste grupo, constituindo uma categoria separada.
Pneumonia: Responsável por 26% do Aumento
Sabia que a pneumonia foi a grande culpada por um quarto desse aumento? Foram 5.283 óbitos só em 2024. É uma doença que ainda nos apanha desprevenidos, representando quase 5% de todas as mortes em Portugal. Curiosamente, os dados mostram que ela atinge mais os homens do que as mulheres.
Por que esse aumento? Provavelmente é uma mistura de fatores que já conhecemos: a população está a ficar mais idosa (e mais frágil), além daqueles surtos de gripe e vírus sazonais que sempre testam a nossa imunidade. Na nossa experiência, o inverno rigoroso em algumas regiões também acaba por pesar nestas estatísticas.
Diferenças de Género na Mortalidade
Os dados de 2024 evidenciam diferenças marcantes entre homens e mulheres:
| Causa de Morte | Relação H/M (óbitos masculinos por 100 femininos) | Predominância |
|---|---|---|
| AVC (doenças cerebrovasculares) | 78,7 | 🔴 Mulheres |
| Doenças isquémicas do coração | 157,9 | 🔵 Homens |
| Enfarte agudo do miocárdio | 172,8 | 🔵 Homens |
| Cancro pulmão | 264,9 | 🔵 Homens (forte) |
| Cancro colorretal | 136,0 | 🔵 Homens |
| Pneumonia | 104,2 | 🔵 Homens (ligeira) |
O AVC é a única das principais causas de morte que atinge mais mulheres do que homens. Esta disparidade está associada à maior longevidade feminina e à idade avançada em que os AVC tendem a ocorrer nas mulheres. Em todas as outras causas, os homens são significativamente mais afetados, com destaque para o cancro do pulmão, onde morrem quase 3 homens por cada mulher.
Mortalidade Prematura: Anos de Vida Perdidos
Um dos indicadores mais relevantes para avaliar o impacto da mortalidade é o número de anos potenciais de vida perdidos (APVP), que mede as mortes ocorridas antes dos 70 anos:
| Causa | APVP 2024 | APVP 2023 | Média de anos perdidos |
|---|---|---|---|
| Tumores malignos | 100.547 | 102.901 | — |
| Doenças isquémicas do coração | 19.628 | 18.937 | 10,8 |
| Enfarte agudo do miocárdio | 13.175 | 12.593 | 11,0 |
| Doenças cerebrovasculares (AVC) | 9.710 | 9.420 | 9,9 |
Embora os tumores malignos tenham registado uma ligeira melhoria nos APVP, as doenças cardiovasculares apresentaram agravamento, com mais anos de vida perdidos em 2024 do que em 2023 nas três subcategorias analisadas.
Portugal no Contexto Europeu: O Paradoxo da Longevidade
Segundo o relatório "Health at a Glance 2025" da OCDE, Portugal apresenta uma esperança média de vida de 82,5 anos, acima da média dos 38 países da organização. No entanto, especialistas identificam um "paradoxo epidemiológico": os portugueses vivem mais tempo, mas uma parcela significativa desses anos é vivida com limitações de saúde.
Este paradoxo tem implicações diretas para quem planeia residir em Portugal:
- O SNS (Serviço Nacional de Saúde) oferece cobertura universal, mas enfrenta desafios de capacidade e tempos de espera
- Seguros de saúde privados são amplamente disponíveis e relativamente acessíveis comparados com outros países europeus
- A qualidade dos cuidados de saúde é reconhecida internacionalmente, com hospitais de referência em Lisboa, Porto e Coimbra
- Cerca de metade dos portugueses reporta satisfação com o acesso à saúde, segundo dados da OCDE
Taxas de Mortalidade por Grupo Etário: Dados Essenciais
Os dados do INE revelam que as taxas de mortalidade por 100 mil habitantes variam drasticamente por grupo etário em todas as principais causas:
| Causa | Taxa Nacional (por 100 mil) | Grupo mais afetado |
|---|---|---|
| Doenças cerebrovasculares | 84,2 | 85+ anos (taxas >1.000/100 mil) |
| Doenças isquémicas do coração | 60,5 | 85+ anos |
| Pneumonia | 49,4 | 65+ anos |
| Cancro do pulmão | 42,0 | 65-84 anos |
| Enfarte agudo do miocárdio | 34,8 | 45+ anos (crescimento acentuado) |
| Cancro colorretal | 33,3 | 55+ anos |
O Que Estes Dados Significam para Quem Planeia Viver em Portugal
Sistema de Saúde Acessível
Portugal dispõe de um Serviço Nacional de Saúde universal que cobre todos os residentes, incluindo titulares de vistos de residência e cidadãos com nacionalidade portuguesa. O acesso à saúde é um dos fatores que sustenta a elevada esperança de vida do país.
Prevenção e Rastreio
Aqui está uma boa notícia: as mortes por cancro colorretal caíram 2,1%. Isso não acontece por acaso; é o resultado direto dos programas de rastreio que Portugal tem reforçado. Se já vive aqui ou pretende vir, não facilite: use e abuse dos rastreios gratuitos que o SNS oferece. Prevenir continua a ser o melhor remédio.
Qualidade de Vida na Terceira Idade
Para reformados que consideram Portugal como destino de residência através de um visto D7, o país oferece um equilíbrio favorável entre custo de vida, clima e acesso a cuidados de saúde de qualidade.
Fontes e Referências
- INE – Instituto Nacional de Estatística. Causas de Morte – 2024. Publicado em 27 de fevereiro de 2026.
- OCDE. Health at a Glance 2025 – Portugal. Novembro de 2025.
- OCDE/Observatório Europeu dos Sistemas e Políticas de Saúde. Perfil de Saúde do País – Portugal 2025. State of Health in the EU.
- Direção-Geral da Saúde. Codificação dos certificados de óbito segundo a CID-10 da OMS.
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Dra. Débora Friedrich Izquierdo
Advogada, Sócia-fundadora do Studio Cidadania
Inscrita na Ordem dos Advogados de Portugal e na OAB. Mais de 10 anos dedicados a processos de cidadania portuguesa, italiana e espanhola, com atuação direta em Lisboa e mais de 500 famílias representadas.
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